Receitas para mulheres tristes

maio 29th, 2012 § 9 Comentários

“Ninguém tem a receita da felicidade (…) se para algumas mulheres a tristeza é até motor do apetite, não convém empanturrar-se nos dias de angústia. O alimento, na infelicidade, não é assimilado e cria gordura. As mais saudáveis beberagens liberam seu veneno quando tomadas por uma mulher aflita”.

“Nas tardes de chuva fina e persistente, se o amado estiver longe e o peso invisível de sua ausência for insuportável, colha de sua horta 28 folhas novas de melissa e leve-as ao fogo num litro de água, para um chá. Quando a água ferver deixe o vapor molhar a polpa de seus dedos e mexa três vezes com uma colher de pau. Tire do fogo e deixe descansar por dois minutos. Não ponha açúcar, beba gole a gole de costas para a tarde, numa xícara branca. Se depois de meio litro você não notar certo alívio atrás do esterno, requente o chá e acrescente duas colheres de raspas de rapadura. Se no fim da tarde a agonia persistir, pode ter certeza de que ele não vai voltar. Ou vai voltar outra tarde, e já muito mudado”.

Chegou pelo correio afetivo, da amiga Chèl. Do Livro de receitas para mulheres tristes, de Hector Abad, pela Companhia das Letras.

Arroz-de-hauçá

maio 28th, 2012 § 12 Comentários

Momento mama África.

Desde que eu comi o arroz-de-hauçá do Dona Mariquita fiquei com boquinha de comer mais. E com coco ralado de costas! Mas não deu. Embora eu tenha adquirido o coco para ralar, deu mó bode, preguicinha feia, ressaquinha feia, e para me justificar eu pensei: vou facilitar a vida das meninas (e joguei para vocês) e fazer com leite de coco e coco ralado er… da Sococo. Mas ó, dou a maior força para quem se aventurar na função de ralar o coco de costas, que fique claro! Mas que pode ficar delicioso assim também, pode, e este aqui é prova disso.

Para 6 porções, tá?

Lave e escorra 1 1/2 xícara de arroz agulinha e deixa ele lá na espreita do movimento.

Hidrate 1 saco pequeno de coco ralado em flocos em 1 garrafa pequena de leite de coco + 1/2 garrafa de leite comum + 1 colher de sobremesa de amido de milho ou arrozina. Reserve.

Dessalgue 400g de charque coxão (desde a véspera trocando a água pelo menos 3 vezes). Corte em pedaços e cozinhe na pressão só com água mesmo por uns 30 minutos depois que começar a apitar. A carne vai ficar molinha de espatifar, daí você desfia, dispensando a gordurinha. Feito isso, refogue em cebola roxa e manteiga de garrafa ou similares, e finalize com um punhado bem bom de salsa fresca. Reserve.

Tome 200g de camarões secos da melhor qualidade e dispense as cabeças. Numa outra panela doure cebola branca ralada numa colher de azeite de dendê, junte os camarões e flambe com um dedinho de cachaça; deixe evaporar o álcool, some 2 dedos de caldo de legumes, e deixe reduzir à metade. Reserve.

Ao arroz: Refogue alho picado em azeite de oliva, some o arroz escorrido, misture bem, refogue, cubra com a mistura do coco + leite de coco + amido (misture antes pois o amido assenta), acerte o sal e deixe cozinhar em fogo baixo, mexendo de vez em quando. Se precisar junte mais leite de coco misturado com leite de vaca. Este é um arroz empapadinho, cremoso!

Montagem: eu montei mais ou menos como o do Dona Mariquita: enformei o arroz bem quente numa mini forma com buraco no meio, contornei com a carne desfiada, coloquei alguns camarões secos no buraquinho do meio e umas gotas do caldo do camarão sobre o arroz imaculado (eu só pingo porque camarão seco é muito forte e eu só preciso de uma insinuação dele no meu).

Arroz-de-hauçá é muito bom. Sensação.

Tô na Semana de Design de Interiores da EBA/UFBA

maio 25th, 2012 § 12 Comentários

Eu tenho uma relação linda, carinhosa e parceira com a Escola de Belas Artes da UFBA onde me formei. Tanto é que continuo acompanhando o movimento todo daqui da minha varanda, e volta e meia participo como palestrante de algum evento/movimento acadêmico.

Fui convidada pela coordenadora Maria Hermínia Hernández para ministrar uma mini-oficina, que eu intitulei Festas Feitas à Mão, no próximo dia 13 de junho das 9h30 às 11h30, integrando a programação superbacana da 4ª Semana de Design de Interiores da EBA/UFBA. Um bate-papo sobre os meus processos criativos e a labuta em torno da realização de sonhos alheios.

Se você ficar afins, se jogue, que vai ser lindo! A gente toma um café depois. É free, basta se inscrever pelo 4semana.designinteriores@gmail.com

Adoro evento de pensamento, adoro!

O farfalle ao gorgonzola mais rápido do oeste!

maio 23rd, 2012 § 30 Comentários

Uma vez por semana eu deixo Bê comer na frente da tevê. Geralmente faço uma massa e vamos juntos para o ninho de almofadas do gabinete com os pratos no colo para ver algum desenho bacana do Discovery Kids ou Cartoon.

Pois ontem foi dia de macarrão na frente da tevê e eu fui de farfalle mais ligeiro do mundo. Foi-se o tempo em que eu refogava cebola na manteiga para fazer molho de gorgonzola! Descobri que o molho mais gostoso é também o mais besta e rápido. Na panela, 200g de gorgonzola esmigalhado + 1 caixinha de creme de leite + 1 colher de sobremesa de manteiga. Vai tudo para o fogo médio junto e quando tudo derrete e fica homogêno, tá pronto. Se achar que ressecou um pouco (acontece com o gorgonzola), ao invés de colocar mais creme de leite, some um pouco da água do cozimento da massa, ou simplesmente transfira ela da panela com água quente (al dente até não poder mais – usei De Cecco) direto para o molho, assim ela já vai com um pouco de água.

Mais fácil do que abrir uma caixa de batata cozida à vácuo, né não?

Salpicamos alho frito, moemos pimenta do reino na hora e ralamos pecorino por cima. Deve ser a massinha preferida dele, talvez uma das minhas também.

Meu guri, todo torto, todo errado… mas uma vez por semana pode!

Eu e minhas panelas de vidro

maio 21st, 2012 § 25 Comentários

Eu tenho duas panelas de vidro, herdadas da minha amiga Lívia; tá certo que eu queimei algumas receitas por falta de costume, já que elas retém MUITO calor, e por isso são mais econômicas. É fogo baixo, que a gente apaga antes de finalizar o cozimento, para que ele se complete ali abafadinho. Na hora que eu entendi o movimento delas começou a rolar um sentimento, até porque além de bem bonitas, são bem mais fáceis de limpar do que as de inox e alumínio. Mas o que eu não tinha me tocado ainda é que, assim como as panelas de ferro Le Creuset, que por terem alças do mesmo material, vão do lume ao forno para gratinar, as minhas de vidro também oferecem esta vantagem!

Por acaso hoje eu estava esquentando um ragu que eu fiz com sobra de carne de panela, com o objetivo de fazer um escondidinho com mandioquinha, e quando eu ia montar num refratário pra gratinar no forno é que veio o insight e eu falei pra mim mesma: Ué, é só cobrir esta carne com o purê, polvilhar um parmesão aqui mesmo e tacar no forno! Ó que pratico! E na saída do forno ainda fica fofa na mesa, uma benção!

Tá rolando mó clima com as minhas panelas de vidro. Super recomendo.

Top 10 alimentos horripilantes pelos leitores do Pitéu (e resultado da Ciranda Kumalè)

maio 21st, 2012 § 11 Comentários


(prendas da ciranda: o livro e um kit ASTA de viagem)

Já repararam que por trás das nossas cirandas a gente tece algo muito mais valioso do que a prenda da brincadeira em si, né? São memórias e impressões que fazem a gente se emocionar e pensar sobre o mundo em que a gente vive pelo viés da comida.

Isto posto, eu queria dizer que a Ciranda Kumalè me trouxe algumas revelações. A mais importante delas é que eu descobri que tenho muito mais restrições alimentares do que achei que tivesse. É que vendo todas estas possibilidades assim listadas bonitinho, com o requinte das impressões e situações vividas por vocês, a coisa ficou bem mais ten-sa. Lamento informar (e decepcioná-los) que apesar de amar, trabalhar e escrever sobre comida, o que a coloca num patamar especial e de elevada estima em minha vida, não tenho problema nenhum em assumir estas restrições. Primeiro porque para mim a comida provoca/evoca/ e deve agradar a todos os sentidos e não somente ao paladar, e esteta que sou, devo confessar que sou capaz de eliminar alguns quitutes pela sua aparência, o que, sem dúvida impõe limites às minhas experiências mundanas. Texturas e odores certamente afasta tantas outras possibilidades. Não sei se mamãe pecou, mas assim que estivermos juntas vou lhe dar um beijo especial por nunca ter me obrigado a comer nada; oferecer, incentivar, explicar a sua importância e até forçar a barra um bocadinho, sim, mas obrigar a engolir goela abaixo sob pena de morrer de fome, jamais. On the other hand, o universo gastronômico é infinito, não creio que tudo que se come por aí deva necessariamente ser comido por mim, afinal todo mundo tem seus critérios, e apesar de bem ciente das minhas limitações (que pôxa!), estou feliz com as minhas escolhas aqui da minha zona de conforto, de mesa linda com comida fofa, colorida e cheirosa sorrindo para mim. Mas ó, acho realmente lindo uma pessoa que come de um tudo, sem frescura, sem limite, sem pudor, sem vergonha na cara, sem nada nesta vida.

Mas voltando à ciranda e ao bafão dos bastidores, de um simples cheiro de café coado a glândula salivar de boi, o desfile de alimentos horripilantes foi um sucesso. Me deliciei listando abaixo as mais… bem, as mais interessantes (e bizarras), por assim dizer, experiências de vocês por critérios meus, mas fiquem à vontade para brincar de mudar de bloco, criar novos e coisas que tais. Vejamos…

HORS CONCOURS

1- Placenta
2- Ovos podres enterrados por mil’anos

TOP 10 ALIMENTOS HORRIPILANTES (as mais votadas por ordem decrescente):

1- Miúdos e vísceras de toda espécie
2- Buchada de boi ou bode, você escolhe
3- Dobradinha, e mais uma vez a presença do querido bucho
4- Língua de boi
5- Larvas, insetos, cobras e morcegos
6- Chouriço/morcela
7- Miolo
8- Pés e cabeças de bichos
9- Pequi
10- Cachorro

CATEGORIA OUTROS DESTAQUES NOJENTÕES

1- Rã
2- Caca da bisa da Adriana Davanzo
3- Olhos
4- Escargot
5- Rin

CATEGORIA CURIOSIDADE

1- Cavalo
2- Glândula salivar de boi
3- Carne humana
4- Peixe vivo
5- Cabeça de cordeiro assada com couro e lã

CATEGORIA MENO MALE

1- Mocotó
2- Rabada
3- Maniçoba
4- Quiabo
5- Jiló
7- Galinha à cabidela
8- Ovo pochê
9- Açaí
10- Jambu
11- Jatobá

CATEGORIA Ô TADINHO, APARENTEMENTE INOFENSIVO

1- Cafezinho coado
2- Melancia (kakakakakakakakaka)
3- Coentro
4- Pepino
5- Camarão

CATEGORIA AÍ É SACANAGEM

1- Cérebro de macaco
2- Cachorro
3- Baleia e golfinho
4- Carne humana
5- Passarinho
6- Testículo de boi
7- Olhos

CATEGORIA PERIGO CONSTANTE

1- Baiacu

Bem, ao sorteio, né? Que é para dar uma abstraída básica!

Deu número 012, que na ordem crescente de comentários básicos equivale à colega Márcia Domingues, que se pela inteira com coração de bicho!

Querida Márcia, vou te mandar o outro exemplar do O Mundo à mesa – preceitos, mitos e tabus da gastronomia do Chef Kumalè e mais um mimo que eu escolhi da minha parceira a REDE ASTA, que é um kit com carteira de viagem, tag de bagagem e porta-passaporte sustentável, todo trabalhado na embalagem de tetra pak, pelo coletivo Mulheres do Salgueiro (eu tenho e acho lindo de morrer), que é para te acompanhar nas suas viagens gastronômicas. Aproveite bem!

Gente, eu fiquei louca de amores por essa ciranda, obrigada! A Saberes Editora também mandou dizer que ficou super feliz, vê: aqui.

Ah! E por falar em Rede ASTA, se liguem que vai rolar na sequência uma Ciranda do Amor, pongando no clima love is in the air do Dia dos Namorados (ai, ai, ai, meu Santo Antônio!).

Taís, fui comer bombocado de queijo na Gilzan!

maio 20th, 2012 § 4 Comentários

Desde que a leitora Taís Gaspar comentou aqui no post As padocas da minha área sobre o bombocado de parmesão da padoca/deli Gilzan lá na Pituba, que eu fiquei com esse trem na cabeça. Daí que ontem eu fui comer no Boteco (de Recife) que abriu ali pertinho (post na sequência) e lancei a idéia aos meus dois comparsas, que toparam atravessar a praça na chuva para tomar café, comprar pão e conhecer a Gilzan.

Cheguei toda na função do bombocado, que me aguardava bonitão no balcão de doces e salgados a peso, mas não tive pança para traça-lo ali (boteco, você sabe), e trouxe o meu quinhão para casa.

Experimentamos alguns bolos e salgadinhos bem gostosinhos, os pães estavam lindões, o serviço de ceia já estava montado e parecia okay, mas o que mais me chamou atenção mesmo foi o atendimento! Funcionários mais felizes, impossível.


(fachada | geral da loja | detalhe do bufê da ceia)

Ah! O bombocado de queijo! Achei delícia, adoro doce de queijo, adoro! Mas quando eu descobrir uma boa receita vou colocar menos açúcar.

Valeu a dica, lindeza!

A Gilzan Delicatessen fica na São Paulo com a Rio Grande do Sul, ali na Pituba. Parece que a loja da Graça dançou, mas tem outra na Boca do Rio, e pelo que eu acabo de ver aqui no Google que tudo vê e tudo sabe (inclusive sobre as nossas vidas) parece que tem Gilzan em Camaçari e na Sussuarana, veja que babado! Atirando para tudo quanto é lado, atingindo vários públicos! Tá certo também.

19.965 exibições depois…

maio 20th, 2012 § 12 Comentários

… lá no YouTube, é que eu venho aqui convidar vocês para assistirem ao quinto episódio da Cozinha Finna, que foi ao ar linkado com o Dia das Mães, e teve a participação de duas crianças muito fofas, a Nina e o Bento, para quem eu fiz os clássicos biscoitinhos 1-2-3 da minha infância na versão tangerina. Vê aqui a bagunça na minha varanda.

No próximo episódio love is in the air, e eu acordo ouvindo passarinhos. Vou fazer um nhoque de espinafre com ricota ao sugo e vou dar umas dicas de como preparar um climão para um jantarzinho a dois.

Ai, ai, ai, meu Santo Antônio!

Choquei no supermercado

maio 19th, 2012 § 36 Comentários

Gente, o que leva alguém a comprar batata cozida em caixa, “100% natural, que dispensa refrigeração, e não possui conservantes”? Como assim natural, sem conservante, que dispensa refrigeração? Alguém me explica como é isso?

Gente, o que leva alguém a comprar frango desfiado em caixa, “100% natural, que dispensa refrigeração, e não possui conservantes”? Como assim natural, sem conservante, que dispensa refrigeração? Alguém me explica como é isso?


Gente, o que leva alguém a comprar sachê de molho de tomate à bolonhesa? Já pensou que aquilo é carne? Já pensou o tanto de veneno que deve ter ali dentro para conservar essa carne?

Porque, assim, eu sou do tempo que essas coisas eram naturais e perecíveis.

Meeeeeeeeeeeeeeeeedo! Ô gente, vamo’ pensar um pouquinho no que a gente joga pra dentro? Que você não goste e não queria cozinhar, tá no seu direito, não é obrigada, mas não precisa se matar, né?

Saladinha de uva com pepino

maio 18th, 2012 § 16 Comentários

Gente, depois dos depoimentos fantásticos no post abaixo sobre experiências gastronômicas horripilantes, eu preciso refrescar essa cozinha com uma saladinha beeeeeeeem levinha, bem fresquinha, bem saudável, bem natural, bem inocente, bem meiga, beeeeeeeem! Que é para dar um equilíbrio, afinal de contas, tudo é um equilíbrio na vida da pessoa, concordam?

Partes iguais de uvas de sua preferência sem sementes partidas ao meio, e cubos de pepinos de tamanho proporcional (nada de picar miudinho, eu quero ver a uva, eu quero ver o pepino, não quero que eles se desintegrem e virem uma coisa só, você quer isso para a sua vida?). Hidrate com iogurte natural sem soro da melhor qualidade e cremosão, saborize e odorize com gotas de limão, azeite de oliva extravirgem, sal a gosto, pimenta – se quiser, e folhas muito frescas de hortelã. Sirva bem gelada! Nada de iogurte molengo pingando no fundo da saladeira, hein?

Ela fica super gatinha também com uvas verdes, na versão tudo verde, uma coisa ton sur ton, mas como eu sou uma pessoa trabalhada no contraste…

Então… aliviou aí?

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