Taís, fui comer bombocado de queijo na Gilzan!

maio 20th, 2012 § 4 Comentários

Desde que a leitora Taís Gaspar comentou aqui no post As padocas da minha área sobre o bombocado de parmesão da padoca/deli Gilzan lá na Pituba, que eu fiquei com esse trem na cabeça. Daí que ontem eu fui comer no Boteco (de Recife) que abriu ali pertinho (post na sequência) e lancei a idéia aos meus dois comparsas, que toparam atravessar a praça na chuva para tomar café, comprar pão e conhecer a Gilzan.

Cheguei toda na função do bombocado, que me aguardava bonitão no balcão de doces e salgados a peso, mas não tive pança para traça-lo ali (boteco, você sabe), e trouxe o meu quinhão para casa.

Experimentamos alguns bolos e salgadinhos bem gostosinhos, os pães estavam lindões, o serviço de ceia já estava montado e parecia okay, mas o que mais me chamou atenção mesmo foi o atendimento! Funcionários mais felizes, impossível.


(fachada | geral da loja | detalhe do bufê da ceia)

Ah! O bombocado de queijo! Achei delícia, adoro doce de queijo, adoro! Mas quando eu descobrir uma boa receita vou colocar menos açúcar.

Valeu a dica, lindeza!

A Gilzan Delicatessen fica na São Paulo com a Rio Grande do Sul, ali na Pituba. Parece que a loja da Graça dançou, mas tem outra na Boca do Rio, e pelo que eu acabo de ver aqui no Google que tudo vê e tudo sabe (inclusive sobre as nossas vidas) parece que tem Gilzan em Camaçari e na Sussuarana, veja que babado! Atirando para tudo quanto é lado, atingindo vários públicos! Tá certo também.

Dona Mariquita, um restaurante feito à mão

abril 27th, 2012 § 22 Comentários


(a garçonete mais linda do mundo trabalha no Dona Mariquita e tem um sorriso enorme, repare como tudo está iluminado ao redor)

O que há por trás de um restaurante? Alguém, com uma idéia, uma inspiração, uma aspiração, um sonho, uma coisa. Pois bem, atravessei o salão climatizado do Dona Mariquita – com decor rústica, sem excessos alegóricos, mas apenas sutis referências à cultura regional, algo sofisticado, a depender do seu olhar – e tomei uma mesa no charmoso “quintal”. Depois de 5 minutos instalada ali, fiquei curiosíssima por saber quem estaria por trás daquele resturante todo feito à mão. Certamente uma mulher; certamente uma mulher bacana, caprichosa, que ama o que faz, e que soube agregar e cativar a equipe que me pareceu coesa, comprometida e feliz. Levantei e fui bisbilhotar os detalhes, as luminárias, as vestimentas dos garçons, a cerâmica de Maragojipinho, as cortinas de renda de um branco imaculado, as passadeiras de mesa de palha de buriti… havia uma curadoria de artesanato muito bem feita ali (depois fui saber que trata-se de um projeto do arquiteto Sidney Quintela, muito gato e muito bom no que faz). Absorvidos todos os detalhes, perguntei a uma garçonete quem estava por trás de tudo aquilo, e ela me disse que era a Leila Carreiro, que estava “logo ali, ó”, e já foi buscar a Leila, que veio falar comigo com as bochechas rosadas pelo calor da labuta. Me dei com a Leila na mesma hora, e dois minutos depois ela já me tomava pelas mãos para me mostrar o seu mi-mo-sér-ri-mo café da manhã também regional, na mesma rua, numa casa quase vizinha, o Mungunzá (fotos lááááá no fim do post). Outro encanto, com pegada mais romântica e feminina demais da conta. Não foi surpresa saber que todas aquelas cadeiras em patchwork e objetos decorativos foram feitos pela própria.

Mas voltando ao Dona Mariquita…


(Vince, não te falei que tu tinha saído na foto?)

Bom, a essa altura eu já estava encantada e ainda que a comida não fosse boa – o que sabia impossível, uma vez que fui até lá por conta da indicação da querida jornalista e crítica de gastronomia, Daniela Castro (Revista Muito), em quem confio fortemente; também a Veja Salvador o elegeu por dois anos como melhor restaurante brasileiro da cidade, além de ter sido mencionado como referência de comida brasileira pelo New York Times, entre outros bafões, que eu só fui saber depois – já teria valido a pena ter conhecido aqueles projetos e aquela pessoa deliciosa que é a Leila.

O cardápio é preciso, nada daquelas dezenas de ofertas esquema “tem mais acabou”, manja? Comida do recôncavo, influências indígenas, sertanejas e afro-baianas, das melhores e mais criativas possíveis. Feijoada de frutos do mar, Mariene do Coco – que é um risoto com castanha e bacalhau servido no coco -, quiabada, frigideira de maturi, entre muitas outras delícias. Mas quando eu vi “Arroz-de-hauçá” no cardápio, alguma coisa me disse que aquele povo sabia fazer arroz-de-hauçá lindamente. Não tive dúvida e quando o meu prato de cerâmica chegou, enformado, lindamente decorado, soltando um cheiro inebriante, não teve foto certa, esqueci, desculpa. Cai matando no melhor arroz-de-hauçá que eu já comi na vida, feito com leite de coco fesco e natural, e coco “ralado de costas”! Obrigada, Senhor!, era só o que eu pensava.

Ainda sobre o cardápio, há vários ítens que você pode levar para a casa, tipo farinha da boa, doces regionais, abarás congelados e coisas que tais. Isso sem falar na carta escândalo de cachaças.

O Dona Mariquita é um dos três restaurantes de Salvador que fazem parte da Associação dos Restaurantes da Boa Lembrança, uma iniciativa linda, que chega dói o coração, vale a pena visitar este link. Você come uma comida especialmente elaborada e indicada para a ABBL, e leva o prato personalizado de lembrança, memória afetiva e gustativa daquele momento lindo. A opção do Dona Mariquita é o Ninho de Farofa de Maniçoba com Carne de Fumeiro Acebolada, mas como eu passo de maniçoba, e como não acho os pratos da ABBL tão lindos assim para pendurar na parede, lanço mão apenas da memória do gosto daquele prato inesquecível, que eu não vejo a hora de comer de novo.

1 cachaça luxo para abrir os trabalhos + entradinha + 3 Bohemias + 1 arroz-de-hauçá (que é prato único, mas serve dois a depender da fome, da entrada, e da cerveja, que no meu caso, enche por demais a pança) por R$100,00, ou seja, 50 pilas para cada. Eu achei super jogo.


(detalhes do Mungunzá, que estava fechado, porque se estivesse aberto eu ia almoçar café da manhã!)

O Dona Mariquita e o Mungunzá (preciso tomara café lá e experimentar o tal do mingau de banana da terra que a outra fofa, Nadja Vlad, também da Revista Muito, disse que é tudo) ficam na Rua do Meio, no Rio Vermelho. Todas as coordenadas aqui no site da casa.

Se jogue! Vá com fé, “que a fé não costuma falhar”.

Um drink depois de Pina

abril 20th, 2012 § 22 Comentários

Ontem eu fui ver Pina. Saí com um nó na garganta, um negócio querendo explodir no peito, queria prolongar aquela sensação de felicidade plena, de fé, de alegria de viver, de contemplação do Belo, de conexão com o Divino. Precisava beber um negócio, sozinha, entocadinha num lugar gostoso, numa mesinha de canto. Me lembrei que tinha achado o Acqua Café, na Marina, um lugar charmoso e despojado, com pouca luz, deck com vista de barquinho (digo, lanchas chiquérrimas), me lembrei também de ter comido umas brusquettas bem boas e desci a contorno bem devagarzinho com garoa fina no parabrisa.


(Perdão pelas fotinhas cretinas de celular, sim? Piora quando são noturnas)

Encontrei tudo igual. Pedi um mojito que estava meia-boca (R$10), bruschettas de brie com salmão defumado que estavam incríveis (R$16), tive um atendimento atento, e paguei R$28 (com taxa) pelos 30 minutos que passei lá, nada mais que isso. É que não consegui manter a presença de Pina e Wim Wenders no meu espírito, deve ter sido por causa da Celine Dion (ou similar) cantando melosa no meu ouvido, daí a pressa de voltar para o silêncio do carro sozinha e tentar resgatar de volta a ambiência e a beleza do filme.

Mas voltando a Pina, me prometam que vão assistir neste fim de semana enquanto ainda está em cartaz, em 3D, na telona? Em contrapartida eu lhes prometo uma obra-prima de rara, raríssima beleza, uma oportunidade única de conexão com “Aquele Um”. LG, senti a sua presença do meu lado esquerdo; Lu, senti a sua do meu lado direito.

O Acqua Café fica no complexo de bares e restaurantes da Marina, Av. Contorno, uma das vistas mais belas da cidade de São Salvador da Bahia. É bom para namorar, isso claro, se você gosta de Celine Dion e relativas, ou se tem um bom poder de abstração, coisa que eu não tive ontem.

Iogurte esquema frozen

abril 18th, 2012 § 18 Comentários

Taí uma modinha que me pegou de jeito: não posso ver um balcão de frozen yogurt que sigo robótica e hipnotizada até lá, um delírio que só acaba na última colherada. Isso, lógico, quando o iogurte é incrível, como o Yog do Mariposa, campeão entre todos os que já experimentei. Acho caro à beça R$6,90 por um copinho de 110g, mais R$1,00 por topping (3 por R$2), mas fazer o quê? Eu AMO esse troço.

Agora, vem cá, piada vender um iogurte frozen 0% de gordura com aquelas opções de topping, né? Jujuba, leite condensado, chocolates, geléias, confetis, mel, castanhas, e algumas frutinhas, vai, só para decorar o balcão… Só rindo, viu? Quer se iludir, sobe aí no bondinho!

O meu yog geralmente é morango com um pouco de calda de fruta vermelha, cubos de kiwi e croc croc de castanha, que eu tomo de olhos fechados, ao menos a primeira colherada. Ui, delícia!

Yog Mariposa, nos shoppings mais pintosos da cidade de São Salvador da Bahia.

As padocas da minha área

abril 18th, 2012 § 47 Comentários

Salvador ainda não tem uma cultura de padaria, sabe? As padocas como áreas de convívio, onde a gente para para ler o jornal, encontra pessoas, toma café junto e faz até reunião, essas coisas. Café da manhã e sopa em padarias é uma coisa relativamente nova por aqui. Não digo comer um sanduíche na chapa no balcão, mas o evento café da manhã, entende? Essa é uma das coisas que me faz sentir saudades de São Paulo, mas até que não posso me queixar de boas padarias ao redor. Das mais caras na Graça, às mais populares no Dois de Julho, passando pelas intermediárias no Campo Grande e Garcia, tem para todos os gostos e bolsos. Vamos aos pontos altos e baixos de cada uma delas para você me dizer depois se eu viajei ou fecha comigo.

A Favorita

Das antigas. Aberta em 1952, esta padoca localizada no Campo Grande, em frende ao Forte de São Pedro tem 3 pontos fortes e 2 pontos fracos, na minha opinião. Os fortes são: o melhor pão de sal da cidade; a melhor vara mista na chapa com café coado no balcão; e a oferta de mini pães de vários formatos fofinhos e sabores e cores mil no balcão dos fundos, que eu adoro comprar para festa. Já os pontos fracos, são a dificuldade para estacionar e o espaço interno pequeno que causa algum desconforto nos horários de pico, especialmente na fila dos dois caixas. Mas o pão de sal vale super a pena, é campeão.

Di Mercatto

Esta é uma padoca metida a grã-fina. Oferece uma boa variedade de pães, salgadinhos e doces, tem um layout bacana, que permite uma boa circulação entre as áreas da lanchonete, mini mercado, padaria, restaurante no mezanino (com café da manhã aos domingos e almoço diariamente), balcões de sopa e mingaus, e até mesmo uma pequena adega. Engorda só de entrar de tanto pão cheio de creme, de tanto doce, de tanto salgadinho. Almocei uma única vez lá para nunca mais, pois era tanto purê e rocambole e massa e arroz e molhos brancos e manteiga boiando, que eu paralisei. As sopas, assim: já tomei algumas divinas, mas tenha medo das cremosas, todas trabalhadas no amido. Excesso de sal é recorrente, como também a sua total ausência. É pedir para experimentar antes de assinar o contrato. Recentemente eles incrementaram mais o balcão com oferta de pizza que a gente monta na hora e leva para casa. Encontrei Ronei Jorge dia desses lá, que me garantiu que valia a pena, comprei e achei a massa bacaninha, mas os recheios…nhé! =/
Recomendo a baguetinha de massa folhada com recheio de ricota e os mini pasteizinhos de queijo assados com mesma massa. Os pães são legais, mas tudo é MUITO caro. Ah! E os funcionários não são felizes, exceção a uma fofa baixinha de óculos que atende no balcão da lanchonete, risonha e alheia aos dissabores da vida. Na Rua da Graça, no Posto Touring, perto do Largo da Vitória, em frente ao Frio Gostoso. Tem manobrista e bomba demais entre 18h e 19h, Deus é mais!

Garcia Delicatessen

O lema do Reginaldo é servir bem para servir sempre. Entenda-se por servir bem, recheios generosos dos pães, salgadinhos e sanduíches. Taí um cabra honesto, trabalhador, classe A, gente fina. Conheci o Regis assim que ele abriu a padoca, na época em que eu captava apoios culturais para as minhas produções na unha, batendo de porta em porta com o projetinho embaixo do braço; numa época em que não havias cursos de produção cultural nas faculdades, nem leis de incentivo, nem coisas que tais. O Regis topou de cara apoiar o coquetel de lançamento do Don´t Mess With The Dead Billies na Arqueria, seria bom para divulgar o seu nome. Mas cadê a logomarca para colocar no material gráfico? Não tinha. Ah! Não precisa não, exclamou o Regis em sua ingenuidade e bom coração. Mas eu não queria só resolver minha paradinha, pois sempre me preocupei com um retorno para os meus apoiadores, tinha que ser bom para os dois lados, eu tinha que deixar um gosto bom na boca deles, daí que eu falei: Regis, como assim? Vou fazer uma marquinha pra tu, valeu? Nada demais, só para colocar no material gráfico, para o seu nome aparecer, ora bolas! Detalhe: eu só sabia labutar com o Word e com o Excell (malmente), e lá fui eu fazer o logo do Garcia Delicatessen, uma coisa provisória, só para ele ficar feliz. E não é que ele ficou tão feliz que alguns meses depois tô eu passando na frente da padoca e vejo o meu “logo” na fachada? E mais ainda, impresso em tudo quanto é papel de pão. KAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKAKA! Gente eu não sabia se eu ficava feliz ou morria de vergonha, mas o fato é que o logo continua o mesmo mais de 13 anos depois, quem aguenta?

Bom, mas voltando à padoca, que ampliou seus horizontes com um puxadinho lateral e passou a oferecer também mini mercado, sopas, mingaus e lanchonete por preços honestos, recomendo o pão francês quentinho e os sanduíches de chapa na lanchonete, apertadinha, mas funcional. Lá os funcionários parecem bem mais felizes. É o que o Regis é muito boa praça. Na Leovigildo Filgueiras, aquela rua do lado do TCA, sentido fim de linha do Garcia, lado direito, logo após a Rádio Exelcior.

Deli & Cia

Esquema Graça, o que significa cara. Boa variedade de pães deliciosos, balcão de frios bacana, boas opções de biscoitinhos artesanais e manobrista. Os pontos altos são o café da manhã aos domingos (não deixem de experimentar os beijuzinhos e mingaus), de preferência sob a árvore da pequena área externa, e os salgadinhos de festa versão mini, vendidos por quilo, sempre quentinhos e crocantes. Os funcionários também não parecem muito felizes por lá. Não curto muito o astral de lá não, mas é boa. E cara, já falei né? Na Euclides da Cunha.

Bola Verde

Das antigas também, a Bola Verde fica no Dois de Julho e é passagem obrigatória para mim quando vou para aquelas banda, para comer sonho com café preto no balcão externo que dá para o largo. Só é pequenininha demais, mas lá encontro pães naqueles formatos de interior, sabe? Eles vendem manteiga a granel, lanches româticos tipo bauru, essas coisas. De uns tempos para cá, deram uma enlouquecida e colocaram um balcão central com oferta de produtos importados maravilhosos, tipo uma micro-Perini no centrinho da padoquinha, com geléias, enfrascados e enlatados super legais, e tem até um pequeno espaço para vinhos bem honestos, por preços mais honestos ainda. Adoro a atmosfera, mas é por causa do Dois de Julho, que eu amo loucamente apesar de tudo, mas isso é conversa para uma série que está engatilhada aqui e não sai nem amarrada de corda! Ah! O pão não é essas coca-colas todas não, mas quem se importa? É tão legal ficar ali sentadinha do lado de fora tomando café e observando o movimento do Dois de Julho e seus personagens pitorescos!

Comendo pelas quebradas: Bar do Hamilton

abril 12th, 2012 § 26 Comentários

Eu ADORO comer em quebrada. Um amigo já tinha me levado no Bar do Hamilton mas era tarde e ele já se preparava para fechar, daí que eu fiquei doida para voltar naquele boteco todo trabalhado na samambaia fake à época (tenho a impressão), mas que hoje são naturais e exuberantes.

Passou um tempo e num belo sábado pela manhã, liguei para Nando para convidá-lo para almoçarmos no Bar do Zé (mesmos donos do França), que ainda não conheço, onde era o finado e saudoso Extudo, no Rio Vermelho. Mas ele já tinha outros planos com a comadre Magali: eu tinha que ir com eles no fim de linha do Garcia comer um rango delícia e baratérrimo de um tal de Hamilton. Quando ele deu as coordenadas saquei na hora que era o tal boteco trabalhado nas samambaias fake e mandei o Zé às favas.

Bom, o esquema é o seguinte: o Hamilton serve as pessoas em sua casa. Aconselho ir ao banheiro, pois a experiência de atravessar a sala em autêntico estilo kitsch (daquelas que os cenógrafos estudam a fundo para reproduzir) é inesquecível, emocionei! Muito cisne, muita planta de plástico, um espetáculo! Então, o Hamilton puxou uma varandinha de frente, cobriu com Eternit, encheu de planta para dar uma aliviada no calor, colocou meia dúzia de mesas e vai bem, obrigada. Cerveja boa e gelada, comida honesta e preço camarada é a fórmula do cabra.

A idéia era comer o camarão da casa, muito gostoso e bem-servido, garantiam os meus amigos. E é mesmo. Bem temperadinho, caprichoso, sal na medida, servido pelas mãos do próprio cozinheiro todo paramentado, uma simpatia. Só senti falta de uma coisa, na verdade poderiam ser duas, mas como eu só como salada crua em raros lugares onde vou, nem posso reclamar que não veio, portanto vou dar um pitaco apenas: senti falta de contraste de cor: a comida é muito amarela, monocromática. Camarão, farofa e pirão, tudo da mesma cor. Me deu uma agoniazinha, mas nada grave. Quase pedi uma salsinha para salpicar ali, mas seria muito indelicado com o cozinheiro tão simpático e esforçado. Um pouco de tomate no ensopado de camarão também coloririam um pouco mais o conjunto. Também achei a quantidade de pirão desproporcional, era pirão para um batalhão! Mas a comida é boa e o prato que serviu 3 adultos e 1 criança, serviriam 4 adultos e 1 criança, por 30 pilas.

Então é isso, se estiver pelas bandas do fim de linha do Garcia e quiser comer comida de quebrada, vá no Hamilton. Não tem endereço formal, nem telefone, sem site, nem facebook, nem twiter, mas chegando no fim de linha, pergunte onde é o Aconchego da Zuzu (outra quebrada massa que eu jogo na cabeça de vocês qualquer hora dessas); descendo a ladeira sentido Garibaldi, dobre a primeira à esquerda depois da Zuzu, e depois a primeira à esquerda de novo, que você vai ver a fachada acima. É um beco sem saída. Quem tem boca chega no Hamilton. Se joga!

Ah! Tem o Bananeira também pra comer lambreta delícia. Fico devendo Bananeira e Zuzu para fechar o circuito fim de linha do Garcia, valeu?

Como assim?

março 22nd, 2012 § 31 Comentários

É assim que eu tenho visto as bistecas congeladas à venda na rede Bompreço de supermercados: avulsas, sem nenhuma embalagem, ou o mínimo de cuidado com higiene e contaminação, em contato direto com mãos, espirros, insetos (o que não falta é barata nas lojas), dispostas diretamente nos caixotes de transporte de mercadorias.

Vem cá, como é isso? O que representamos para eles? Em que planeta eles vivem? E a vigilância sanitária, cadê? Isso não é caso para fechar a loja, não? Será que eu perdi alguma coisa? Pode isso? Sério, eu devo estar desatualizada, né? Diz pra mim que supercongelados pode numa boa? Alguém aí por favor me diz: Katita você não sabia que em todos os países civilizados só se vende bisteca assim? Ou isso ou eu vou chamar a polícia, hein?!

Gente, tem dia que eu perco a fé, viu?

No Bompreço mais perto de você.

“Qualidade bom preço. Preço baixo todo dia”. Ô, né?

O Amado

fevereiro 27th, 2012 § 23 Comentários

Eu sou aquela que visita a exposição no último dia; que chega na última sessão do filme e descobre que a programação rodou; que sai correndo da vendedora que diz “isso aqui tá super na moda, tem ótima saída”; que (hoje) evita lançamentos, estréias e burburinhos; e que finalmente é a última a comentar sobre o restaurante da moda, até porque muitas vezes ele já não está mais na moda, ou sequer existe.

Não dou conta de compromisso com a velocidade das coisas, de ter que saber de tudo o que está acontecendo, de ter que estar atualizada, na crista da onda. Para tudo que eu quero descer agora!

Feita esta intro, preciso destacar o Amado daqui do meu arquivo de lugares de comer, porque, de fato, se existe um restaurante contemporâneo (e brasileiro) melhor aqui em Salvador, eu desconheço.


(fachada e salão da minha cadeira)

Na minha cabeça, o Amado é o melhor restaurante contemporâneo de Salvador (que eu conheço) pelos seguintes motivos:

1- O talento, o bom senso, a alquimia do chef Edinho Engel (dono também do Manacá no litoral paulista, e autor do O Cozinheiro e o Mar) na elaboração dos pratos, na combinação dos sabores, na utilização do que o Brasil tem de melhor, na perfeita cocção, sabor e apresentação dos pratos.
2- O projeto arquitetônico de Paulo Jacobsen, que transformou um trapiche abandonado na Praia da Preguiça, endereço para lá de romântico da cidade de São Salvador, num ambiente elegantérrimo, algo rústico, que abraça a gente; um abraço de pedra, madeira e vidro que é para ver o mar. O mar não, a Baía de Todos os Santos, desculpa. O decor é bem bonito, o projeto paisagístico também, mas tudo construído sobre o exuberante projeto arquitetônico, que impõe respeito ao ambiente, determinando que ele seja calmo, silencioso e elegante, como se ultrapassássemos um portal que desacelera e convida à contemplação. Uma música tão perfeita em sua discrição (só um barulhinho bom ocupando a pequena parte que lhe cabe naquele latifúndio) que nem me lembro o que era, como tem que ser, afinal, ninguém vai ali para ouvir música.
3- O serviço eficaz, às vezes até um pouco simpático demais, mas melhor assim, né?


(nossos pratos perfeitos)

Ontem eu me arrependi por não ter provado um dos pratos de caça, vacilei. Eu tinha que ter experimentado a paleta de queixada ou paca, mas me rendi mais uma vez aos camarões… rosas com molho de gorgonzola e pistache, purê de mandioquinha e espinafre, e não posso dizer que me arrependi; já o meu amigo deliciou-se no famoso Prato dos Pescadores, uma combinação de peixe, frutos do mar e legumes, dos deuses, que eu provei de leve.

Bom, não dá para ir ao Amado uma vez apenas, o cardápio é muito sedutor para isso. Impossível sair de lá sem sonhar em voltar. Quem sabe o javali da próxima vez.

A pergunta que não quer calar: preço. Duas pessoas que vão de couvert (impecável) + 4 copos de vinho tinto chileno + 1 água com gás + 2 pratos individuais + 2 cafés (no nosso caso não sobrou espaço para a sobremesa), vão gastar 150 pilas por pessoa.

Vale cada centavo, pelo conjunto da obra, até porque, eu só pago uma conta destas a cada seis meses, e se eu tiver que viajar para comer num restaurante escândalo destes, há de sair mais caro.

(não deixe de ler considerações bacanas sobre o quesito preço aqui nos comentários!)

Visite o Amado aqui.

Boteco do França é campeão

fevereiro 26th, 2012 § 8 Comentários

Eu adoro comida de boteco, e manjo. Mas não tem jeito, o França é campeão. Os cabras acumularam experiência como garçons, atentos às peculiaridades e manhas da área, anotaram o caminho das pedras, tiveram fé no taco, descolaram um ponto super estratégico e se firmaram há 7 anos como o melhor boteco da cidade. Fórmula simples: cardápio fixo desde sempre e assertivo (homenageando artistas e intelectuais habitués nos nomes dos pratos, o que é uma gracinha) com predominância daqueles ingredientes que nunca faltam na cidade que é para não fazer aquela linha “tem, mas acabou”; nenhuma firula decorativa, apesar de oferecer o conforto mínimo necessário e possível considerando o pequeno espaço físico (muito bem aproveitado, aliás, até mesmo com área climatizada); atendimento bom quando não está chapado (é por isso que eu gosto de ir tipo assim, almoçar na quarta, sabe?), cervejas boas sempre estupidamente geladas (o que é básico, mas o povo vacila forte), cachaças respeitadas; preços justos por tudo isso, enfim, a glória no quesito boteco.

Na foto, meu prato preferido entre os botecos de toda parte que eu já frequentei, que é o arroz de pato; ah! e o fofo do Antonio, garçon gracinha.

No Boteco do França você toma duas cervejas Bohemia muito geladas e bem servidas em copos finos, gelados e adequados + um arroz de pato baby (que dá para dois) e paga tipo R$50 pilas de conta. Eu acho fofo.

Fica ali no Rio Vermelho, perto do teatro do SESI, mas se você quiser mastigadinho, vem cá.

Gente, eu ‘tava olhando aqui nos meus arquivos o tanto de fotos que eu tenho de lugares onde eu como e não publico. Por que será? Afe, tenho que desovar isso! =P

Jiboiando em Maraú

janeiro 4th, 2012 § 26 Comentários

Então, docinhos… o trampo em Barra Grande foi pau viola, mas um dos mais prazerosos e por isso mesmo um dos mais bacanas que eu já prestei. Os meus clientes e seus convivas ficaram super satisfeitos, e ao que tudo indica essa história de amor não acabou. Houve brinde pra mim, discurso de despedida com nó na garganta durante o último jantar que servi, e eu vou sentir muito saudade daquelas pessoas adoráveis e elegantérrimas, volto a dizer. Assim que der faço um post sobre o assunto, mas vou começar de trás para a frente, só para chatear, como diria a minha amiga Silvinha Teixeira.

Depois de 11 dias completamente envolvida neste trabalho, resolvi tirar um dia de folga lá em Barra Grande antes de voltar para a minha rotina sem rotina. Não havia tempo para explorar novos lugares e eu resolvi fazer os dois programas de que mais gostei das últimas vezes em que estive lá: tomar um drink e comer uma comida linda e saborosa no rústico e charmoso Bar da Rô, na beira do Rio, e ver o por-do-sol na Ponta do Mutá, dos mais lindos que já vi.

Acordei tarde, tomei um looooongo café da manhã, vesti minha linda chemise toda trabalhada nas araras e palmeiras (desculpa), inaugurei uma das jóias hippie compradas na Praça da Tainha (o lugar mais bacana do mundo para comprar jóias hippies incríveis), óculos enormes e chapéu, num momento gringa total, e sai arrastando a sandália até a vila em busca de uma manicure e uma pedicure pelo amor do Divino! Descolei uma fofa, que fez minhas unhas com tanto carinho, que eu fiquei até comovida e fui de Renda! =)

Tá, mas e para chegar na Rô? Moto-táxi, bem. Uma aventura para destemidos, vou logo avisando! Porque o chão é areia, areia da praia, e é preciso ter fé e se apegar com seu santo de devoção, mas te garanto que se a moto não derrapar e você não queimar a batata no escapamento da moto (além do mico, claro), terá vivido uma experiência incrível. Dica: se o cabra desequilibrar e parar a moto, nada de colocar o pezinho no chão, e outra! Não peça para ele ir devagar que é muito mais perigoso, hã? O negócio é passar voando! Feitas as orações e seguindo as regrinhas básicas vai dar tudo certo, prometo!


(a casquinha de siri da Rô | a beira do Rio | a Rô atendendo turistas de todo canto do mundo | estilo Rô | o rio que vai bater no meio do mar)

O Bar da Rô continuava o mesmo, mas desta vez não tive muita paciência para o atendimento muito distraído apesar dos esforços da Rô em servir tudo lindamente, jogar um jazz na cabeça da gente, guarnecer os vasos com flores frescas, os balcões com frutas frescas, e por aí vai. Não questiono mais preços; quem sabe o valor do trabalho é quem o faz (são muitas especificidades), paga quem quer, quem pode, quem reconhece, MAS infelizmente os preços da Rô, na minha cabeça, determinariam um atendimento decente. Por outro lado, sei que mão-de-obra especializada naquelas bandas é um problema. Bom, tomei três drinks, dei vários mergulhos naquele rio abençoado, li vários capítulos do impagável É tudo tão simples, livro novo da Danuza Leão (uma das minhas divas na Terra), comi uma casquinha de siri, e vazei na primeira moto-táxi que apareceu rumo ao Mutá!


(o quibe do Carlos Maltta | o lavabo pelo qual me apaixonei quando o vi pela primeira vez há muitos anos, e que era muito mais lindo antes desse espelhão nada a ver que enfiaram ali a fórceps | meu primeiro por-do-sol do ano)

Eu cozinhei tanto que não tive a menor vontade de almoçar, comida de verdade, sabe, com guarnição? Então, meu negócio era água, da que os passarinhos bebem e da que não bebem também, e belisquetes. O Amauri, garçon da barraca Sol do Mutá, jurou para mim de pé junto que o quibe do chef Carlos Malta era de chorar, e eu me joguei; quando ele chegou todo coberto de (MUITO) queijo derretido fiquei com medinho (tenho medinho de queijo derretido), mas, de fato, o quibe é um tombo! Vai comendo devagarzinho que vai dar tudo certo.

Daí fiquei ali jiboiando naquela imensa piscina natural centenas de metros adentro rumo ao por-do-sol, que não foi dos mais lindos, mas eu fiz de conta que foi. Quando dei por mim, já era noite e fiquei tonta com tantas estrelas que pareciam tão próximas, que na minha viagem de roskas de laranja com limão e gengibre, brinquei de tentar tocá-las. Me lembrei que partiria no dia seguinte e fiquei triste. Me lembrei que mataria saudades de amores meus e fiquei feliz. Voltaria para a casa com a sensação de um dever super bem-cumprido, e cheia de amor para dar. Como sempre, aliás. Porque você sabe, né? Eu sou uma pessoa dada. =)

Onde estou?

You are currently browsing the Comida alheia category at Pitéu.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.

Join 1.013 other followers