Cozinhando arroz com chazinho
março 16th, 2012 § 30 Comentários
Foi assim que aconteceu: toda vez que eu chego na casa da mamãe, vou correndo para o quintal para ver o que é que tá rolando, tipo, os pés que estão carregados, os que não vingaram, o crescimento do pé de romã, o viço das hortaliças, essas coisas. Mamãe vem logo toda orgulhosa para mostrar o tamanho das jacas (Deus benza!), as primeiras uvas da videira (finalmente!), os cajus que não se sabe o porquê de não terem amadurecido e morreram no pé (ô dó!)… e daí ficamos horas nessa investigação de quintal.
Meu chamego é o pé de limão mirim. A primeira coisa que eu faço é escolher logo uma folha bem grande, rasgá-la e ficar cheirando. Nenhum perfume é mais inebriante do que o das folhas do limoeiro mirim da mamãe.
Okay, passou.
Mais tarde fui fazer um arrozinho ainda com cheiro de folha de limão na mão (eu começo rasgando as folhas para cheirar, depois recebo uma compulsiva e começo a esfregar folhas entre as mãos, que por sua vez passo pelo pescoço, como quem passa um perfume). E me ocorreu que eu bem que podia cozinhar o meu arroz com chã de folha de limão; e lá vou eu saltitante para o quintal colher folha de limão. Fiz um chá concentrado e cozinhei meu arroz do mesmo jeito de sempre: cebola e alho picadinhos no óleo, depois refoguei o arroz BEM lavado e BEM escorrido e BEM sequinho, só que na hora de colocar a água fervente foi chá (salve Luiz Caldas!).
Ficou tão bom, mas tão bom, que eu comi só arroz.
Daí que dia desses eu estava com um buquê de manjericão nas últimas (é que quando eu chego na hora da Xêpa no carrinho de mão do meu chapa da esquina que vende hortaliças, ele vende dois pelo preço de um, e manjericão, você sabe, é bem perecível) e lembrei do trucão do chá. Não deu outra: fiz um chá com o buquê de manjericão e cozinhei o meu arroz que ganhou também raspinha de limão siciliano, que da mesma forma, estava no seu momento derradeiro de passar desta para uma melhor.
Resumo da ópera: cozinhar arroz com chás engraçadinhos dá samba, ô se dá! Além de inusitado e saboroso, a pessoa já resolve uma pressão alta, uma circulação, uma função diurética, uma coisa. Mas tem que ser chá gostosinho, hein? Não vai me cozinhar o arroz com chá de boldo, que assim você me quebra.
Algumas sugestões matadoras: chás de folhas de frutas cítricas, hortelã, manjericão, capim santo, capim cidreira.
Alho frito, processado, cru, assado… alho!
novembro 30th, 2011 § 17 Comentários
Vampiro aqui em casa não tem vez, porque tanto eu quanto Bento somos tarados por alho. Como eu já disse aqui, já faz muito tempo que eu virei adepta do alho processado pronto, que além de ser uma mão na roda, (porque não carece de descascar, amassar, picar, sei lá), é um produto natural e super vale o custoXbenefício.
Outro tipo que não falta aqui é a versão granulado frito para finalização de alguns pratos e saladas.
Alho inteiro hoje em dia eu só uso em duas ocasiões: no pilão para fazer molhos do tipo pesto ou marinadas, e para assar. Toda vez que eu faço qualquer tipo de carne ou ave assada, coloco vários dentes de alho com casca sobre as peças antes de levar ao forno. Uma vez assados, a polpa do alho vira uma espécie de purê absolutamente divino! E o melhor: não deixa bafo…
… e se deixasse também, so sorry, que eu não ia deixar de comer nem por amor ao próximo.
Jardineira
julho 20th, 2011 § 16 Comentários
Eu não passo sem jardineira. Acho prático, versátil e uma boa estratégia para garantir vegetais na alimentação do dia-a-dia.
Aqui em casa eu costumo fazer uma boa quantidade (que renda, pelo menos 6 porções) e congelo. E não tem receita fechada, faço com o que encontro de bom no mercado e com o que tenho em casa. Nesta última usei cenoura, vagem e couve-flor (cozidas levemente no vapor), pimentões amarelos, milho e ervilha. Mas você pode acrescentar brócolis, palmito, chuchu, batata… É misturar tudo e foi. Nada de sal ou qualquer tempero. Isso eu faço na hora que for dar destino à minha jardineira, que pode ser:
~ Uma saladinha, neste caso é só temperar com azeite, sal, pimenta e molhinho de sua preferência;
~ Arrozinho. Faço um arrozinho branco al dente bem sequinho e depois derreto manteiga, junto a jardineira, um pouco de curry, e misturo ao arroz com um garfo;
~ Um suflê de legumes;
~ Omeletes com queijo;
~ Incorporado a um refogadinho ou papelote de frango, carne ou peixe;
~ Na chapa;
~ Sopinha.
Só para citar o que me ocorre neste momento.
E depois, uma coisa que se chama jardineira não poderia deixar de ser linda, né?
Tráfico de especiarias
junho 3rd, 2011 § 23 Comentários
Minha amiga Kátia Galvão me liga dia desses:
- Katita, corre, meu sobrinho está indo para a Índia, me diz o que você quer de condimentos!
- Ai, Jisuis, peraê, deixa eu pensar… garan masala, sem dúvida, que o meu tá no fim e eu não posso! Deixa ver o que mais… curry verde, né? Que é mais difícil encontrar aqui… ah! E aquela pasta de gengibre abençoada que eles tem lá que é para eu não ter que labutar com gengibre. Pronto amiga, é isso! Mas não endoida e manda o cabra trazer muito, que não carece, eu posso perder. No máximo três sachês de garan masala, três de curry verde e um frasco de pasta de gengibre.
Passou, esqueci até (bom quando a gente esquece que quando chega é surpresa). Um mês depois o telefone toca:
- Katita, é Bertha, sobrinha de Kátia (e namorada do fofo que se jogou para a Índia), tô com as tuas paradinhas das Índias, como é que faz, passo aí?
- Gata, vai ser a glória, se joga!
Uma hora depois ela chega toda faceira, me entrega minhas paradinhas arranjadas em laçarote doirado, nos jogamos no sofá, a tarde passa e nós nos descobrimos duas negas do leite, falando sem parar. Se deixasse a noite caía!
Com garan masala você pinta o diabo. É uma mistura de especiarias em pó que você pode fazer em casa inclusive, mas eu não tenho saco, não vou mentir para você, colega. Você usa em todo tipo de refogadinhos, tempero de carnes e aves, sopas, onde couber aromas e sabores marcantes.
Com curry verde você faz ensopadinhos de picantes de frango, porco, camarões (o Claude tem uma receita de camarões com leite de coco e curry verde, que eu tô de olho) e vegetais incríveis, mas vá com calma para não cuspir fogo, ã?
Com pasta de gengibre você faz qualquer coisa que leve gengibre cru sem ter que descascar e processar o dito cujo, o que vamos combinar, é uó. Eu gosto de usar em refogados, marinadas e até algus doces, tipo minha cocada mole de coco com gengibre e raspinha de limão.
Para quem ainda não se jogou nos sabores da Índia, recomendo fortemente, tá marcando, hein?
Às amigas Kátia e Bertha Rehm, NAMASTÊ!
Couve crisp
abril 30th, 2011 § 32 Comentários
Pois eu encontrei foi Jesus na couve crisp! Digo isso porque quando publiquei esta receita no Rainhas do Lar acabaram comigo! Que aquilo era um sacrilégio, que eu estava destruindo todas as propriedades da pobre da couve, que eu comprometeria a saúde do meu filho, que aquilo era um acinte… um inferno!
Bom, digamos que eu eu queira trocar as propriedades da couve por um mero prazer crocante para coroar o meu arroz branco, o meu feijãozinho, o meu caldinho de feijão (que aliás, não existem mais sem couve crisp) de vez em quando. Dá licença? Pode ser? Óóóóóóótimo, agradecida! =)
E digo mais! A Nigella, que outrora julguei pelo fato de fritar até salsinha, sabe das coisas no quesito prazer. Aliás, aquela bicha é toda prazer, né? Ela entende do babado. Dia desses fritei sálvia na manteiga da pasta e mais uma vez me conectei com a diva do pecado de comer, quando experimentei o crisp que quase dispensei. Não estou dizendo que é saudável, okay? Estou dizendo que é incrivelmente delicioso; a escolha quem faz é você, pessoa.
Então… para fazer couve crisp você pega uma panela bem pequenininha e funda e aquece óleo de girassol (perfeito para fritura) até o palito de fósforo acender. Joga a couve cortadinha em tirinhas super finas. É só pegar as folhas, limar aquele talo do meio, sobrepô-las, enrolá-las feito um charutinho e passar a faquinha afiada em tirinhas finíssimas! É muito rápido. Num instantinho elas ficam crocantes. Daí você as resgata com uma escumadeira e as repousa sobre papel absorvente MUITO.
Como eu sou uma pessoa tinhosa, que de vez em quando (e só de vez em quando, diabos) se entrega toda ao pecado, sabe o que eu ainda faço, só de provocação? Incorporo à couve torresminho de bacon! Boo!
Torresminho de bacon, ‘ cê faz asssim: tome um pedacinho de bacon bem magro e rosadinho (porque aí também já é esculhambação), remova o couro e corte em cubinhos; depois leve à frigideira pelando para fritar e reduzir; lime o óleo, escorra bem e junte à couve. Se quiser uma versão farofinha, deixe cair uma chuvinha de farinha de mandioca nessa mistura sobre fogo baixo e você vai ver uma coisa.
Se é para pecar, pôxa, que a gente morra de prazer, pelo menos!
*faz muxoxo e sai linda*
Bolinho amigo
março 30th, 2011 § 59 Comentários
“Bater um bolinho” é um exercício de amor, eu acho. Tanto é que eu geralmente faço bolo para agradar alguém, fazer um chamego. O bolo é fofo, doce, macio, combina com café, com chá, com chocolate, com louça de vó apoiada no colo, com pausa para uma conversa mole de comadres, com lanche dos guris. Eu adoro fazer bolo. Mas bolo simples, caseiro, de fruta.
Eu não acho que bolo tenha segredo, mas acredito em suas intenções. O fato é que não raro recebo um e-mail e outro de alguma comadre desesperada porque os seus bolos não dão certo. Muito se ouve por aí sobre as prováveis causas dos famigerados bolos solados, algumas fazem sentido para mim, outras não, de modos que eu elegi as minhas crenças sobre o feitio de bolos perfeitos, quem sabe possam salvar alguma alma angustiada.
1- Devo usar apenas ingredientes em temperatura ambiente? NÃO CREIO que seja verdade absoluta. Este bolo de laranja da foto mesmo foi feito com ovos e suco de laranja gelados. MAS NA DÚVIDA, a comadre tira tudo da geladeira, viu? Que é para não vir dizer depois que o bolo solou porque a Katita do Pitéu disse que podia usar leite frozen! E depois, a Cath deu um toque super pertinente sobre isso aqui nos comentários quando diz que os ingredientes em temperatura mais baixa vão precisar de mais tempo de cocção do que os outros, por isso a coisa pode desandar, olha aí!
2- Tem que tirar a membrana das gemas para que o bolo não fique com cheiro de ovo? VERDADE. Passe as gemas pela peneira, por obséquio!
3- Abrir o forno durante a cocção sola o bolo? DEPENDE do estágio da cocção e do tanto de ar que entrou. O bolo de maracujá anterior a este, por exemplo, que ficou ainda mais lindo e saboroso que este, eu abri o forno parcialmente, sem querer, quando ele já estava quase assado, e não houve prejuízo algum.
4- Pode bater o fermento no liquidificador ou na batedeira? Dizem que o bolo não cresce quando a gente bate o fermento. BOM, EU SÓ COLOCO O FERMENTO POR ÚLTIMO, PULSO RAPIDAMENTE SE USO O LIQUIDIFICADOR E BATO RAPIDAMENTE SE USO A BATEDEIRA, MAS POR PURA INTUIÇÃO, porém ainda não recorri ao O que Eistein disse a seu cozinheiro para investigar, embora ele esteja ali à altura dos meus olhos. Preguiciiiiiiiinha!
5- Se outra pessoa bater a massa durante o processo desanda? EU ACHO QUE TECNICAMENTE NÃO, mas como acredito também no poder da intenção, vai que a outra pessoa é a madastra má em pele de cordeiro?
6- Porque o meu bolo fica com aqueles buracos no meio da massa? Aquilo são bolhas de ar que se formam quando a gente deita a massa na forma. Para resolvero problema é só dar tapinhas na superfície inferior na forma com a massa. ISSO É FUNDAMENTAL!
7- O que é melhor? Manteiga, margarina ou óleo? MANTEIGA, DA BÔUA.
8- O que faz o bolo ficar fofinho e macio? MANTEIGA, DA BÔUA, COLHERES BEM CHEIAS, lamento.
9- Além de untar precisa enfarinhar a forma também? SIM, para diminuir as chances de seu bolo lindo ficar grudado porque você economizou um punhado de farinha.
10- Só pode desenformar o bolo frio? EU NÃO DIRIA FRIO, MAS MORNO. Se o teu bolo estiver muito macio e fofinho, ele fica muito mais frágil enquanto quente e pode não suportar o seu próprio peso, rachando.
11- Precisa peneirar a farinha e o açúcar? A não ser que você não se incomode com a possibilidade de comer um gorgulhozinho assado, SIM. E depois, quando você peneira a farinha ela fica mais solta, mais leve, e o resultado disto é um bolo mais macio e fofinho.
12- Porque o meu bolo queima por fora e fica cru por dentro? PORQUE VOCÊ NÃO PRÉ-AQUECEU O FORNO E PROVAVELMENTE O USOU ALTO! É natural que a parte externa, mais exposta ao calor asse mais rapidamente do que a interna onde ele custa mais a chegar, portanto, PRÉ-AQUEÇA O FORNO, E MÉDIO SEMPRE.
13- Como faço para ter certeza que o bolo está assado por dentro? TESTE DO PALITO.
14- Mas se eu abrir o forno o bolo não pode solar? Vamos fazer assim? Você troca a lâmpada do forno que está queimada há anos e aciona ela para ver primeiro se o bolo já está corado, assim você diminui o risco; depois você abre só uma fresta da porta, e se o teu fogão não estiver na frente de uma corrente de ar, tanto melhor, se estiver, tá errado, como é que você consegue cozinhar? Depois reclama do fogão, mas é difícil para o fogo labutar com o vento, viu colega?
15- É verdade que quanto mais eu bato a massa maiores as chances de um bolo fofinho? É, QUANTO MAIS HOMOGÊNEA E LISINHA A MASSA, MAIS FOFINHO O BOLO, mas também não precisa perder a novela das oito por causa disso.
16- O meu bolo ficou até gostoso, mas ficou tão fininho! Não seria porque você usou uma forma enorme? Quer bolo altinho usa forma proporcional à quantidade de massa, mas cuidado para não encher muito, porque o bolo vai crescer!
17- Meu bolo não cresceu. Colocou fermento? Coloquei. Estava na validade? Estava. Bom, isso acontece. Da próxima, coloque um pouquinho do fermento num pouquinho de água e veja se ele vai crescer e ficar efervescente, se não rolar esta química, jogue fora o fermento.
18- Fiz tudo isso que você falou e o meu bolo solou. Então vamos brincar de fazer um belo sanduíche? Hã? Que tal? =)








