As estórias que as rolhas contam…
junho 2nd, 2012 § 7 Comentários
Muito mais legal do que colecionar rolhas é escrever em cada uma delas quando e com quem bebeu-se aquele vinho. Eu fiquei encantada quando descobri que o meu amigo Oscar faz isso, e mais ainda quando ele me mostrou a rolha de um vinho que tomamos numa noite muito especial e legal.
Cheguei em casa olhei para a minha champanheira cheia de rolhas e fiquei arrasada por não poder sentar no chão naquele momento, e espalhá-las todas ao meu redor para poder lembrar de tantos momentos incríveis. Nossa, ia ser tão bom!
Mas “daqui pra frente tudo vai ser diferente”…
Comida ambulante em “Olha a chupa-molho aí, gente!”
junho 1st, 2012 § 16 Comentários
Receitas para mulheres tristes
maio 29th, 2012 § 12 Comentários
“Ninguém tem a receita da felicidade (…) se para algumas mulheres a tristeza é até motor do apetite, não convém empanturrar-se nos dias de angústia. O alimento, na infelicidade, não é assimilado e cria gordura. As mais saudáveis beberagens liberam seu veneno quando tomadas por uma mulher aflita”.
“Nas tardes de chuva fina e persistente, se o amado estiver longe e o peso invisível de sua ausência for insuportável, colha de sua horta 28 folhas novas de melissa e leve-as ao fogo num litro de água, para um chá. Quando a água ferver deixe o vapor molhar a polpa de seus dedos e mexa três vezes com uma colher de pau. Tire do fogo e deixe descansar por dois minutos. Não ponha açúcar, beba gole a gole de costas para a tarde, numa xícara branca. Se depois de meio litro você não notar certo alívio atrás do esterno, requente o chá e acrescente duas colheres de raspas de rapadura. Se no fim da tarde a agonia persistir, pode ter certeza de que ele não vai voltar. Ou vai voltar outra tarde, e já muito mudado”.
Chegou pelo correio afetivo, da amiga Chèl. Do Livro de receitas para mulheres tristes, de Hector Abad, pela Companhia das Letras.
Top 10 alimentos horripilantes pelos leitores do Pitéu (e resultado da Ciranda Kumalè)
maio 21st, 2012 § 11 Comentários

(prendas da ciranda: o livro e um kit ASTA de viagem)
Já repararam que por trás das nossas cirandas a gente tece algo muito mais valioso do que a prenda da brincadeira em si, né? São memórias e impressões que fazem a gente se emocionar e pensar sobre o mundo em que a gente vive pelo viés da comida.
Isto posto, eu queria dizer que a Ciranda Kumalè me trouxe algumas revelações. A mais importante delas é que eu descobri que tenho muito mais restrições alimentares do que achei que tivesse. É que vendo todas estas possibilidades assim listadas bonitinho, com o requinte das impressões e situações vividas por vocês, a coisa ficou bem mais ten-sa. Lamento informar (e decepcioná-los) que apesar de amar, trabalhar e escrever sobre comida, o que a coloca num patamar especial e de elevada estima em minha vida, não tenho problema nenhum em assumir estas restrições. Primeiro porque para mim a comida provoca/evoca/ e deve agradar a todos os sentidos e não somente ao paladar, e esteta que sou, devo confessar que sou capaz de eliminar alguns quitutes pela sua aparência, o que, sem dúvida impõe limites às minhas experiências mundanas. Texturas e odores certamente afasta tantas outras possibilidades. Não sei se mamãe pecou, mas assim que estivermos juntas vou lhe dar um beijo especial por nunca ter me obrigado a comer nada; oferecer, incentivar, explicar a sua importância e até forçar a barra um bocadinho, sim, mas obrigar a engolir goela abaixo sob pena de morrer de fome, jamais. On the other hand, o universo gastronômico é infinito, não creio que tudo que se come por aí deva necessariamente ser comido por mim, afinal todo mundo tem seus critérios, e apesar de bem ciente das minhas limitações (que pôxa!), estou feliz com as minhas escolhas aqui da minha zona de conforto, de mesa linda com comida fofa, colorida e cheirosa sorrindo para mim. Mas ó, acho realmente lindo uma pessoa que come de um tudo, sem frescura, sem limite, sem pudor, sem vergonha na cara, sem nada nesta vida.
Mas voltando à ciranda e ao bafão dos bastidores, de um simples cheiro de café coado a glândula salivar de boi, o desfile de alimentos horripilantes foi um sucesso. Me deliciei listando abaixo as mais… bem, as mais interessantes (e bizarras), por assim dizer, experiências de vocês por critérios meus, mas fiquem à vontade para brincar de mudar de bloco, criar novos e coisas que tais. Vejamos…
HORS CONCOURS
1- Placenta
2- Ovos podres enterrados por mil’anos
TOP 10 ALIMENTOS HORRIPILANTES (as mais votadas por ordem decrescente):
1- Miúdos e vísceras de toda espécie
2- Buchada de boi ou bode, você escolhe
3- Dobradinha, e mais uma vez a presença do querido bucho
4- Língua de boi
5- Larvas, insetos, cobras e morcegos
6- Chouriço/morcela
7- Miolo
8- Pés e cabeças de bichos
9- Pequi
10- Cachorro
CATEGORIA OUTROS DESTAQUES NOJENTÕES
1- Rã
2- Caca da bisa da Adriana Davanzo
3- Olhos
4- Escargot
5- Rin
CATEGORIA CURIOSIDADE
1- Cavalo
2- Glândula salivar de boi
3- Carne humana
4- Peixe vivo
5- Cabeça de cordeiro assada com couro e lã
CATEGORIA MENO MALE
1- Mocotó
2- Rabada
3- Maniçoba
4- Quiabo
5- Jiló
7- Galinha à cabidela
8- Ovo pochê
9- Açaí
10- Jambu
11- Jatobá
CATEGORIA Ô TADINHO, APARENTEMENTE INOFENSIVO
1- Cafezinho coado
2- Melancia (kakakakakakakakaka)
3- Coentro
4- Pepino
5- Camarão
CATEGORIA AÍ É SACANAGEM
1- Cérebro de macaco
2- Cachorro
3- Baleia e golfinho
4- Carne humana
5- Passarinho
6- Testículo de boi
7- Olhos
CATEGORIA PERIGO CONSTANTE
1- Baiacu
Bem, ao sorteio, né? Que é para dar uma abstraída básica!
Deu número 012, que na ordem crescente de comentários básicos equivale à colega Márcia Domingues, que se pela inteira com coração de bicho!
Querida Márcia, vou te mandar o outro exemplar do O Mundo à mesa – preceitos, mitos e tabus da gastronomia do Chef Kumalè e mais um mimo que eu escolhi da minha parceira a REDE ASTA, que é um kit com carteira de viagem, tag de bagagem e porta-passaporte sustentável, todo trabalhado na embalagem de tetra pak, pelo coletivo Mulheres do Salgueiro (eu tenho e acho lindo de morrer), que é para te acompanhar nas suas viagens gastronômicas. Aproveite bem!
Gente, eu fiquei louca de amores por essa ciranda, obrigada! A Saberes Editora também mandou dizer que ficou super feliz, vê: aqui.
Ah! E por falar em Rede ASTA, se liguem que vai rolar na sequência uma Ciranda do Amor, pongando no clima love is in the air do Dia dos Namorados (ai, ai, ai, meu Santo Antônio!).
Se você fosse uma flor do quintal da minha mãe…
maio 13th, 2012 § 33 Comentários
Eu recebi um e-mail onde uma mãe falava com orgulho sobre os sacrifícios, privações e anulações que se auto-impunha todos os dias pelo seu filho. Fiquei bem agoniada, porque assim, é natural que nos privemos de muitas coisas na condição de provedores dos nossos filhos, mas “sacrifício” é uma palavra muito forte, e “anulação de nós mesmas” deveria ser impronunciável. É muito peso, muita responsabilidade sobre os ombros dos nossos filhos, sentirem-se culpados lá na frente pela anulação de suas mães “tudo por eles”. Nossos filhos querem mães saudáveis, felizes e livres, deles inclusive, se é que me entendem. E mais do que pesado, é injusto, especialmente quando não são eles o verdadeiro motivo deste “auto-flagelo”. Infelizmente as campanhas comerciais e chorumelas dos programas de auditório só confirmam isso. Os filhos pertencem ao mundo! E quando eles forem embora? O que restará de nós? Deverão arrastar as correntes da nossa solidão, e tristeza e frustração? Isso é amor? Amar os nossos filhos não seria libertá-los?
Se dói? Não creio, depende do ponto de vista.
Mas felizmente, no dia seguinte, recebi outro e-mail da minha orientadora de TCC e hoje amiga, que dizia que “ser mãe é, entre tantas outras coisas, assegurar sentido a palavra humanidade, que vivida em família, se dirige como ondas de amor, respeito e solidariedade para todo o mundo.”
*suspiro*
Como é bom não estar só.
Mas voltando às flores do quintal da mamãe, qual você seria?
Um feliz e reflexivo dia das mães aos leitores do Pitéu.
Serviço de casa não acaba nunca
maio 8th, 2012 § 75 Comentários
Todo dia ela faz tudo sempre igual. Acorda às 6h e começa limpando a área de serviço do totó, lavando seu comedouro, e dando de comer para o bichinho que é para ele não acordar os vizinhos antes dos seus despertadores. Na volta, já para na cozinha e coloca a cafeteira para funcionar enquanto põe a mesa e prepara o café da manhã e o lanche do guri (Esse menino precisa comer uma banana, uma raiz, um mingau, uma coisa!). Na sequência, se apega com o Divino e parte para o quarto do filho coberta pelo manto sagrado de paciência da Virgem para acordá-lo. Durante os 15 minutos em que ele resmunga e esperneia até finalmente acordar para vida, ela prepara o banho e a roupa, a mochila, e arruma a bolsa com o que vai precisar, já que depois que o despachar na escola, tem um bando de coisa para resolver.
Às 7h50 eles saem atrasados deixando a louça na mesa e os pratos por lavar. É um horário ingrato no trânsito, e ela já sabe que quanto mais tarde chegar na sua aula de pilates, mais curta a sua manhã vai ficar, afinal, daqui a pouco, às 11h40 no máximo, ela já tem que enfrentar o trânsito de novo para pegar o guri de volta na escola. São 3h para fazer o pilates, deixar o sapato no sapateiro, fazer aquele pagamento na lotérica, voltar para a casa, fazer as camas, dar uma varrida básica, passar um pano básico, dar um grau básico no banheiro, zerar a cozinha e adiantar o almoço.
Sai voando, pega trânsito de novo, cobre-se com o manto sagrado da Virgem para conseguir tirar o moleque da escola (depois de liberados eles querem brincar como se não houvesse amanhã, e ela louca pensando no trânsito, no almoço para terminar e no monte de trabalho que tem quando sentar no notebook bem na hora do sono que dá depois do almoço). Cata o guri, pega trânsito de novo, ele “precisa” pegar Star Wars IV pela 50ª vez e ela desvia do caminho de casa. Chegam depois das 12h30, ela tenta convencê-lo a ir para o banho imediatamente, mas ele só vai quando a mesa está posta “enquanto a comida esfria”. Volta para a cozinha para finalizar o almoço e colocar a mesa, enquanto, ao mesmo tempo, aproveita para esvaziar o varal e colocar os lençóis na máquina. Percebe que o sol está lindo para colocar os tapetes na varanda e chegando lá vê que o totó fez coco onde não devia.
(Escrevi a palavra “trânsito” 5 vezes nos últimos 2 parágrafos, por que será? Não quero falar sobre isso)
Serve o almoço às 13h30 e adia a lavagem dos pratos. Cai na cama para um cochilo de 20 minutos antes de mergulhar no trabalho, tem até medo de abrir a caixa de mensagens e ela estourar diante de si. Levanta relativamente revigorada e tenta trabalhar, se concentrar, mas como isso é possível com um guri leonino de quase 7 que precisa de platéia e atenção? Faz o que pode, e vai alternando o PC com a pia, com a lista de compras, com a roupa da máquina pronta para ir para o varal, com o interfone, a moça da Dengue, o diabo a quatro. Percebe que a limpeza das portas e janelas se faz urgente e promete que vai dedicar o sábado inteiro ao faxinão do amor, daqueles de colocar a casa toda de pernas para o ar, mas para isso vai ter que fazer as compras antes, mas que dia? Tem médico, dentista, vacina do guri, tosa do cão, reunião com cliente, projeto para entregar, publieditorial para publicar, fila no DETRAN e tanta pendência que não escolheu, que tem até medo de listar na agenda, deprimir e não querer levantar da cama para nada no dia seguinte. Isso sem falar no cão de 14 e na mãe de 72, cada dia mais dependentes.
Mas não pode delirar muito não que já tá na hora de levar o guri para a natação. Na volta, passa na padoca e enquanto ele toma banho vai para a cozinha preparar a ceia (Esse menino precisa voltar a tomar sopa!). E dá de comer para o filho e para o totó. Às vezes tem lição da escola, e depois já é hora de desacelerar e baixar as luzes e volumes da casa para embalar a criança (Esse menino tá precisando de pijama!). É fazer a cama, contar uma história e depois que ele dormir, terá a grande chance de terminar o trabalho, ouvir uma música, ler um livro, tomar um copo de vinho. Isso, claro, quando não dorme antes dele.
Mas a nossa heroína doméstica não pode reclamar da vida… primeiro porque depois da máquina de lavar inventaram outra coisa genial chamada guarda partilhada, o que na prática, significa dois dias de solteirice por semana e fins de semana alternados, em que pode jogar tudo para cima, acordar mais tarde, estender o pilates, esticar para o Porto, mergulhar, improvisar o almoço com sobras na geladeira enquanto abre um vinho e põe uma música, assitir duas sessões seguidas de cinema, encontrar os amigos, fazer farra, ou simplesmente dormir, dormir, dormir, ler, ler, ler, jiboiar, jiboiar, jiboiar, dançar pra não dançar, ficar só e em silêncio, não fazer NADA, com a cama desfeita o fim de semana todo (já se foi o tempo em que ela não conseguia viver com a cama desfeita!).
Mas sorte grande mesmo (ou Providência Divina) é ter a oportunidade de alternar estas temporadas de dona de casa com as temporadas de trabalho insano lá fora, porque esta sagitariana não seguraria uma rotina destas ad infinitum não. Aliás, anotar na agenda: hora de contratar uma empregada, que o campo chama e a primeira temporada do Avental todo sujo de ovo 2012 acabou!
Remunerem as donas de casa!
Remunerem as donas de casa!
Remunerem as donas de casa!
Deu para sacar que eu tô com a macaca?
“Por que é proibido pisar na grama?”
maio 7th, 2012 § 6 Comentários
Pergunta-canção de Ben Jor que ficou lá atrás sem resposta cabível, capacho da cozinha de Nanã… uma coisa puxou a outra no meio de um domingo que tinha tudo para ter sido besta mas foi o mais divertido dos últimos tempos, bem ao nosso estilo festinha improvisada e instantânea só para nós dois mesmo.
Delírio Veuve Clicquot
maio 1st, 2012 § 22 Comentários
Pitéu por Esopo
abril 24th, 2012 § 18 Comentários
Um drink depois de Pina
abril 20th, 2012 § 22 Comentários
Ontem eu fui ver Pina. Saí com um nó na garganta, um negócio querendo explodir no peito, queria prolongar aquela sensação de felicidade plena, de fé, de alegria de viver, de contemplação do Belo, de conexão com o Divino. Precisava beber um negócio, sozinha, entocadinha num lugar gostoso, numa mesinha de canto. Me lembrei que tinha achado o Acqua Café, na Marina, um lugar charmoso e despojado, com pouca luz, deck com vista de barquinho (digo, lanchas chiquérrimas), me lembrei também de ter comido umas brusquettas bem boas e desci a contorno bem devagarzinho com garoa fina no parabrisa.

(Perdão pelas fotinhas cretinas de celular, sim? Piora quando são noturnas)
Encontrei tudo igual. Pedi um mojito que estava meia-boca (R$10), bruschettas de brie com salmão defumado que estavam incríveis (R$16), tive um atendimento atento, e paguei R$28 (com taxa) pelos 30 minutos que passei lá, nada mais que isso. É que não consegui manter a presença de Pina e Wim Wenders no meu espírito, deve ter sido por causa da Celine Dion (ou similar) cantando melosa no meu ouvido, daí a pressa de voltar para o silêncio do carro sozinha e tentar resgatar de volta a ambiência e a beleza do filme.
Mas voltando a Pina, me prometam que vão assistir neste fim de semana enquanto ainda está em cartaz, em 3D, na telona? Em contrapartida eu lhes prometo uma obra-prima de rara, raríssima beleza, uma oportunidade única de conexão com “Aquele Um”. LG, senti a sua presença do meu lado esquerdo; Lu, senti a sua do meu lado direito.
O Acqua Café fica no complexo de bares e restaurantes da Marina, Av. Contorno, uma das vistas mais belas da cidade de São Salvador da Bahia. É bom para namorar, isso claro, se você gosta de Celine Dion e relativas, ou se tem um bom poder de abstração, coisa que eu não tive ontem.










