Panna Cotta

maio 10th, 2012 § 13 Comentários

Parafraseando a heroína Penha da novela das 7, “ó, eu vou te falar uma coisa pá você”, eu tô pra ver sobremesa mais simples e gostosa do que uma boa panna cotta.

Panna cotta (do italiano, creme cozido), consiste em creme de leite fresco fervido com açúcar e fava de baunilha, que recebe gelatina para encorpar, e só. Mas só vale a pena se o creme de leite for fresco e com fava, e não essência de baunilha, que é muito fake e vai quebrar o encanto da coisa.

Numa panela, 500g de creme de leite + 1 fava de baunilha (use a ponta de uma faca para fazer-lhe uma fenda, abrindo a fava no sentido do comprimento para liberar o sabor lá de dentro) + 4 colheres de sopa rasas de açúcar, tudo bem misturadinho em fogo médio até ferver e cozinhar por coisa de 10 minutinhos. Desligue o fogo, e numa outra panelinha ao lado, corte duas folhas de gelatina em pedacinhos e derreta em 2 colheres de sopa de água em fogo baixo mexendo rapidamente só até derreter toda (cuidado para não passar mais tempo do que o necessário porque senão ela pode não funcionar, sabe que gelatina tem melindre, né?). Derreteu, misture rapidamente ao creme, fora do fogo com um fouet ou qualquer coisa que o valha, deite em tigelinhas molhadas (para facilitar caso queira desenformar) e leve à geladeira por, pelo menos, 2 horas.

Eu gosto de panna cotta purinha, mas você pode colocar no fundo destas tigelinhas geléia de fruta derretida, assim quando você desenformar vai escorrer a geléia (esqueci de fazer a foto desta), ou então deixar na tigelinha mesmo para as pessoas descobrirem a geléia lá no fundo. Outra coisa gostosa é desenformar e cobrir na hora de comer com calda de chocolate ou de creme de avelã (para fazer é só derrete-los num pouco de creme de leite em fogo baixo), mas não aconselho usar calda de chocolate no fundo da tigela para desenformar pois ela costuma endurecer e pode não dar certo.

Pecado!

***

A Cida Mascaro fez, ó:

Oi katia querida, espero que o seu dia tenha sido maravilhoso!
Como prometi, seguem as fotos do Ratatoule e da Panna Cotta, ficaram deliciosos e o sucesso foi grande.
Obrigada por trazer sempte novidades fáceis e deliciosas…”

Doce de banana de rodelinha

abril 20th, 2012 § 27 Comentários

A quantidade de açúcar é determinada por quão doces estejam as suas bananas, portanto, tome a mais madura delas e experimente. Evite um doce muito doce! De doce já basta a vida! =)

Estou considerando bananas da prata maduras, tá? Doze delas, uma dúzia é redondinho, sonoro e rende que é uma beleza, coisa de 30 porções civilizadas, numa boa.

Descasque as suas lindas bananas e corte-as em rodelinhas, que nem a vovó fazia; que não sejam muito finas, senão se espatifarão facilmente. Vamos fechar em 2cm? Ou, para facilitar a tua vida e tu não precisar sair da cozinha para catar uma régua, usemos a largura do dedo indicador como medida, tá bom pra você? Ótimo, então. Viu como eu sou boazinha contigo?

Rodelinhas cortadas, vamos à calda: numa panela, 1 xícara rasa de açúcar para 1 dedinho d’água. Leve ao fogo baixo e vá mexendo até um ponto de início de calda rala. Some as rodelas de banana, mexa bem, solte 1 ou 2 pedaços de canela em pau, uns 5 cravinhos, 1 estrelinha de anis (se tiver) e umas gotinhas de água de laranjeira (se tiver); cubra com água fervente, misture bem misturadinho, confira se o fogo está baixo mesmo, e entregue o seu doce à sua própria sorte. Volte de vez em quando para dar mais uma mexidinha, testemunhar seu bronzeamento e textura graduais, experimentar o açúcar e decidir sobre o ponto que te afaga. Este doce não precisa, necessariamente, de geladeira. Convém ter uma compoteira de vó, transparente, que é para a gente ficar olhando o doce disposto na bancada, na janela, na prateleira. Eu acho tão romântico doce em compoteira!

*suspiro*

Do amor: Petit camembert com geléia de amora… quentinho

março 25th, 2012 § 26 Comentários

Negócio de brie com geléia até pouco tempo era bafão em festa grã-fina, agora acalmou. Mas que o negócio é bom, isso é. Brie e camembert com geléia de fruta, especialmente as vermelhas, é realmente um negócio muito louco de bom. Queijo com fruta, né? Não tem erro, franceses sabem das coisas.

Das primeiras vezes que comi, o queijo e a geléia estavam em temperatura ambiente e já era do balacobaco, mas depois que eu descobri que uma leve aquecida deixa a combinação mais… voluptuosa, passei a aquecer sempre.

Você pode fazer com um queijo grande inteiro numa festa para muitas pessoas, mas em casa eu faço versão petit camembert, que a gente encontra fácil nos mercados (10 pilas). Coloco a bolinha no fundinho do meu prato de risoto escândalo pau pra toda obra, que a querida Fafah me deu, faço furos em cima com a ponta de um garfo ou qualquer coisa que o valha, cubro com generosa camada de geléia (aqui de amora, que amo loucamente) e levo ao forno médio pré-aquecido por 10 minutos. Detalhe: eu fui estender uma roupa no varal e me passei do ponto, daí o meu derreteu demais, fica esperta e não faz a lesada que nem eu, hã?

Pronto, agora tudo o que você precisa é de uma torradinha bem básica ou um beijuzinho tipo hóstia para pecar (!).

Perfeito para um café da manhã a dois, depois de tórrida noite de amor, o que, infelizmente, não é o meu caso hoje.

Tortinha folhada de pera com chocolate

fevereiro 8th, 2012 § 13 Comentários

A sobremesa de aniversário para a minha amiga Rafaela Cordeiro foi uma dica francesa pá-pum da minha amiga Amanda, que eu fiz hoje numa versão mini e individual em ramequins.

Untei os ramequins e forrei com massa folhada até as bordas (as lâminas estavam coladas, daí fui tirando pedaços e abrindo com os dedos para forrar os ramequins – deu super certo); cobri o fundo com cubos de peras portuguesas sem casca e sem sementes e polvilhei com canela, depois uma camada de quadradinhos de chocolate amargo, dobrei as bordas de massa para dentro e levei ao forno até dourar a massa e o chocolate ficar molinho em ponto de musse (sem derreter, porém).

Deixa eu falar… coisa linda de Deus.

Pudim de Prima Donna (azul!)

janeiro 30th, 2012 § 13 Comentários

Pudim de queijo é loucura por causa do equilíbrio entre o sal e o açúcar, adoro. Dá para usar qualquer queijo duro aqui… pecorino, grana padano, parmegiano… mas o holandês Prima Donna, especialmente o azul, vai parar tudo!

Acenda o forno, caramelize uma forma com buraco no meio com 2 xícaras de acúcar para 1 dedo d’água no mesmo copo (vá mexendo o açúcar com a água ali mesmo na forma sobre fogo médio) e deixe esfriar enquanto bate no liquidificador 1 lata de leite condensado, mesma medida de leite integral, 3 ovos inteiros e 1 pires ENORME BEM CHEIO de Prima Donna azul ralado na hora. Se você quiser um pudim mais lisinho, o truque é somar 1 colher de sopa de amido de milho nessa hora. Eu passo.

Pronto, é deitar na forma quando a calda já estiver fria e levar ao forno médio pré-aquecido em banho-maria (dentro de uma outra forma com água) e deixar assar por coisa de 20 minutos ou quando o pudim estiver douradinho e tiver passado no teste do palito. Deixe esfriar e leve ao refrigerador por, pelo menos, 4 horas antes de desenformar e servir.

Delícia boba boba de fazer.

Fatias de parida (mas pode chamar de rabanada)

novembro 25th, 2011 § 28 Comentários

Minha caixa de e-mails já tá bombando de coleguinhas eufóricas querendo fofocar sobre o Natal, pedindo idéias para décor, árvore, ceia, e eu bem doida no meio disso tudo, né? Respondendo meio que “hã?”, “como assim”, “Natal, já?”, porque, na bôua, eu não faço a MENOR idéia do que vou fazer, de como vai ser o Natal esse ano, não tive tempo para pensar em nada, porque eu trabalho MUITO em dezembro.

Seja como for, aqui em casa o esquema é muito pequeno; somos eu, mamãe (que este ano deve estar em São Paulo com as irmãs), Bento, minha amiga-irmã Rose, e uma ou outra ovelha desgarrada querida que sempre aparece. Também dou zig na data, porque no dia 24 Bento passa na casa do papai, que é condomínio de casas e tem Papai Noel circulando numa pickup distribuindo mimos para os guris, que piram o cabeção. Daí eu acabo passando por lá também e comemoramos aqui em casa no dia seguinte, com um almoço bem solar, de preferência.

Bom, a única coisa que eu sei é que vai ter rabanada para o café da manhã, e para abrir os trabalhos eu trouxe essa receita que publiquei lá no Rainhas do Lar em julho de 2008, atualizada aqui para o Pitéu:

Mais para o Sul e Sudeste do país atende pelo nome de Rabanada (que teria origem portuguesa), e tem data certa para figurar nas mesas, no Natal. Já para as bandas do Nordeste, atende por Fatia de Parida, e é muito mais popular e presente nas mesas dos cafés da manhã nordestinos durante todo o ano, e justamente por isso quase não aparece muito nas ceias natalinas, pois seria como chover no molhado. Mas aqui em casa super rola no Natal, adoro!

A Rabanada é mais metida a besta, até porque precisa de uma dose maior de glamour para entrar no rol da ceia natalina, daí que eu já vi mil versões com inclusão de licores e geléias e coisas que tais em sua composição.

Mas por que Fatia de Parida? Bem, porque reza a lenda que tal guloseima seria muito recomendada na dieta das recém-paridas em resguardo.

Fazer Fatia de Parida é muito simples: basta cortar o pão francês dormido em rodelas, deitá-las numa fôrma, hidratá-las com leite, depois passá-las em ovos peneirados e ligeiramete batidos, fritá-los em óleo quente (fui de Canola), escorrê-los e envolvê-los em açúcar e canela. Você terá uma massa crocante por fora, macia por dentro, e levemente adocicada.

Se quiser versão glam, misture um pouco de licor do tipo Bailey´s ao leite e guarneça com um geléia escândalo! Mas eu gosto mesmo é da receitinha bááááááááááásica.

Creme de coco com calda de nutella

setembro 2nd, 2011 § 18 Comentários

Minhas leitoras mais antigas já conhecem esta estória lá do Rainhas do Lar. Inventei essa receita para aproveitar as polpas dos cocos verdes que se acumulavam aos montes no congelador da casa da minha mãe. O fato é que este doce já virou notícia e hoje em dia é um dos mais pedidos pelos meus clientes e amigos.

A melhor parte é que fazer esse doce é baba! Bata a polpa de dois cocos verdes no liquidificador com um pouco de leite só para facilitar sua vida. Quando o creme estiver lisinho e espesso, deite numa panela, adoce com uma lata de leite condensado (pode ser menos, vai depender do rendimento do seu coco e do seu tesão por açúcar), raspinhas de dois limões ou laranja, e leve ao fogo médio mexendo até soltar do fundo da panela e fazer aquelas bolhas na superfície, sabe como?

Pronto, deite nas suas tacinhas de sobremesa e cubra com uma calda feita com dois copos pequenos de nutella + 2 caixinhas de creme de leite, misturados com carinho em fogo brando.

Coroe seu doce com alguns grãos de pimenta rosa (esse contraste é lindo e saboroso) e mais alguma firulinha que você, por ventura, tenha em casa. No meu caso, lâminas de amêndoas. Mas só para coroar de leve, não exagere! Daí, boneca, é levar ao refrigerador por coisa de 4 horas, e correr para o abraço, para o beijo, para o deleite.

Eu juro que tu vai amar!

Doce de leite de vó com anis estrelado e raspinha de laranja

agosto 17th, 2011 § 29 Comentários

Este é o meu doce preferido, mas tenho que confessar que quando digo este é o meu doce preferido, estou me referindo ao que eu faço mesmo, desculpa a isenção total de modéstia, mas é por causa do açúcar. Mesmo naqueles points famosos pelos doces de leite de vó sempre encontro dois problemas: excesso de açúcar (um problema cultural) e cozimento insuficiente (um problema social de falta de tempo), o que consiste numa calda rala, que não faz a minha cabeça.

Este último fiz para a última festa que eu fiz fim de semana passado, utilizando 10 litros de leite, que depois de 6 horas no tacho de cobre em fogo brando, reduziu a menos da metade.

Mas como ninguém aqui vai fazer 4 kg de doce, vamos considerar um tanto com 2 litros que vai render uma compoteira pequena em sua casa.

Coloque o leite na panela e esprema 1 limão grande inteiro coado para talhar o leite. Leve ao fogo médio até levantar fervura, mexendo de vez em quando, com panela semi-tampada; agora some 5 estrelas de anis e raspas de 2 laranjas (cuidado para não raspar a parte branca, que é azeda!), e deixe reduzir um pouco. Hora de adoçar, a gosto. Ao invés de te dizer some 3 ou 4 xícaras de açúcar eu vou te dizer para somar 2 xícaras de açúcar cheias e experimentar; a partir daí vá somando cada vez menos açúcar até chegar no seu ponto. Agora é o fogo quem faz o milagre; abaixe bem, mantenha a panela semi-tampada e vá mexendo de vez em quando raspando o doce que vai se formando nas laterais e fundo da panela, que vão ajudando a encorpar e bronzear o doce.

Você saberá a hora em que ele estiver pronto. Se, por ventura, secar muito, junte um pouco mais de leite, misture bem e desligue o fogo antes que ele seque de novo.

Este doce balança todas as minhas estruturas, e hoje em dia prefiro o anis aos tradiconais cravo e canela. Ah! E doce de leite de vó sem raspinha de limão ou laranja não existe mais no meu mundinho de açúcar e afeto.

Ah! É comum a confusão entre este doce e ambrosia, mas a diferença é que o ambrosia leva ovos, e aqui não carece! =)

Mingau de aveia com figos secos e amêndoas

agosto 8th, 2011 § 28 Comentários

É neguinha, mingau também tem versão glam, tá pensando?

Sabe o que é? Tô limando carboidrato à noite e me jogando forte nas sopas e proteínas. De manhã pode meu pãozinho quente, mas de noite, nã, nã, nã.

Mas hoje eu fiquei com boquinha de tomar mingau, que eu fiz de uma forma bem aleatória. Peguei uma panelinha véia e coloquei: duas colheres de sopa de aveia, 2 de mel, 1 de chá de amêndoas trituradas, 1 pedação do meu rico figo seco que a Lu mandou da Grécia (desculpa) picadinho, 1 colher de chá de coco seco ralado e torrado, 1 pitadinha de sal, 2 canecas de leite, raspinha de laranja, 2 cravinhos e dois pedacinhos de pau de canela. Misturei tudo e levei ao fogo brando mexendo devagarzinho atéééééééé engrossar.

Fala, tu já viu um gagau mais glam do que o meu?

Terrina de maçãs com camembert

agosto 4th, 2011 § 22 Comentários

Muitos pratos de várias cozinhas levam o nome dos recipientes que os acondicionam, como é o caso das terrines ou terrinas (que na minha cabeça não precisam necessariamente levar gelatina, basta que possam ser desenformadas – thanx God, odeio gelatina!), tians, caçarolas, caldeiradas, frigideiras, enfim…

Esta é mais uma receita inspirada no A Cozinha Francesa da coleção Cozinha das 7 Famílias, que eu estava na fissura de fazer há muito tempo. Coisa simples e alucinante.

2 maçãs cortadas em quatro pela altura, descascadas, com os miolos descartados e depois fatiadas, vão para uma frigideira com uma colher de sopa de manteiga derretida para cozinharem e dourarem em fogo médio; quando estiverem macias, é flambar. A receita original pede calvados (bebida típica da Baixa-Normandia, feita de maçã, de onde é extraída a sidra), mas eu usei Vinho do Porto branco.

Depois é só tomar uma terrina (refratário), umedecê-la, forrá-la com papel filme (se quiser desenformar), e ir compondo as seguintes camadas: maçãs flambadas, fatias de queijo camembert e creme de camembert, que no meu caso foi cream cheese. A última camada deve ser de maçãs.

Com as pontas do papel filme que ficaram para fora, cobre-se a terrina, pressionando o conteúdo com as mãos, coloca-se um peso sobre ela e leva-se à geladeira por, pelo menos, 6 horas.

Lá na Normandia eles recomendam servir esta terrina no lugar da tábua de queijos, acompanhada de salada verde crocante (vai vendo como os franceses arrasam); o queijo pode ser também um bleu d’Auvergne e a fruta pode ser pêra. Recomendam harmonização com sidra ou calvados.

Bom, sobre as minhas impressões: esta terrina é absolutamente neutra, nem doce e nem salgada, o que a torna super versátil, uma vez que além desta versão, ela pode evoluir para muitas outras doces e salgadas. Como o meu convidado é doido por doce, eu polvilhei a minha terrina com açúcar de baunilha e servi com geléia de framboesa. FICOU UM TOMBO! Comemos com um vinho tinto Carmenere, e deu muito certo.

Vou fazer mais uma vez para experimentar uma versão salgada com adição de parma, senão eu não vou ter sossego nesta vida.

Uma salva de palmas para os franceses, porque eles são muito elegantes à mesa, vamo’ combinar?

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