Polenta com ragu

abril 23rd, 2012 § 18 Comentários

Prato tipicamente italiano, muito fácil, com pegada de comfort food, de comer rezando. Polenta é uma espécie de purê de fubá; ragu é um molho à base de carne e tomates. Casamento perfeito.

A polenta pode ser mole, que é o caso aqui, mas também pode endurecer num refratário na geladeira de um dia para o outro para depois ser cortada em tiras e ser frita ou grelhada, que também fica ótimo.

Há quem faça polenta só com água e sal, mas eu gosto de usar caldo de legumes, frango ou carne para dar uma incrementada no sabor. Mas se a idéia aqui é fazer polenta com ragu, vamos começar pelo ragu, assim enquanto ele cozinha, a gente faz a polenta e no final junta tudo.

Corte 1 kg de músculo em cubos e tempere com sal e pimenta do reino moída na hora. Aqueça a panela de pressão untada com óleo de sua preferência e quando estiver bem quente deite 1 kg de músculo em cubos para selar; vire o lado apenas uma vez, abaixe o fogo e vá somando 1 cebola picada, 4 dentes de alho picados (ou 1/2 colher de sopa de pasta d’alho), 1 lata de tomates pelados, 1 pitada de açúcar, misture e refogue. Nesta hora você pode somar 1/3 de xícara de vinho tinto seco e deixar evaporar o álcool (opcionalíssimo!); depois cubra com caldo de legumes ou carne (cuidado com o sal!) e deixe cozinhar por uns 40 minutos depois que pegar pressão. Depois de cozida a carne, desfie a metade e volte à panela, assim você engrossa o caldo com a própria carne, garantindo uma textura consistente. Hora de somar um punhado enorme de salsinha e abafar.

A proporção da polenta da Rita Lobo, que eu adoro e inspirou esta receita, é assim: são 9 xícaras de água para 2 de fubá. Só que desta vez eu usei caldo de legumes caseiro coado no lugar da água, e adorei o resultado, mas já fiz com água e fica ótimo também, até porque tem um parmesão na jogada que dá um glam. Levei as 9 xícaras de caldo de legumes caseiro e sem sal para o fogo, somei 1 colher de sopa de sal, e quando levantou fervura comecei a despejar a chuvinha de fubá com uma mão, enquanto com a outra mexia loucamente a panela, para não empelotar. Só que empelotou. Mas não grila se rolar esse pequeno acidente de percurso, hein? Vai dar tudo certo. Para tudo, pega um mixer e desempelota, ué. Voltei para a panela com meu purê escândalo, somei 1 xícara de parmesão do bom, ralado grosso e na hora, até derreter em fogo baixo, e minha polenta delícia estava pronta.

Corre porque tem que servir na hora, quente, pelando! Tome um prato fundo, faça uma caminha de polenta e deite o ragu ao centro.

Delícia para se comer em família grande e ruidosa.

Iscas de alcatra com um punhado de gorgonzola (para a amiga Vânia Dias)

março 5th, 2012 § 13 Comentários

Depois de um tempo meio reclusa, de repente me deu uma vontade enorme de cozinhar pra pessoas queridas que se perderam da minha vida, tipo a Vânia. Fomos colegas de ACBEU, onde participamos juntas do Coral e do memorável grupo de teatro dirigido na época por Fernando Guerreiro. Sempre tivemos muita afinidade e nos divertimos muito. Eu adorava o seu jeito espevitado, luminoso, e seu enorme sorriso escancarado o tempo inteiro. Acontece que nos perdemos. Não totalmente, de vez em quando nos esbarrávamos no cinema, num show, na praia, e toda vez que eu dava um abraço nela ficava aquela vontade de fazer alguma coisa juntas. Daí que foi bem a Vânia que eu chamei para almoçar num desses últimos encontros nossos. Jurei para mim que ia fazer um almoço sem frescura, sem preoupação, com o que eu tivesse de bom na geladeira, que era para não complicar e não perder de vista o mais importante: estarmos juntas.

Bom, eu comprei só umas folhas de salada porque tinha palmito, tomates e jardineira de legumes em cima; fiz um arroz cozido no chá de manjericão (depois falamos sobre isso) com raspinha de limão siciliano e essas iscas muito simples.

Cortei 500g de miolo de alcatra em tirinhas (iscas), temperei na hora com sal e pimenta do reino moída na hora e selei na frigideira de teflon untada com óleo. Virei o lado, e uma vez seladas e suculentas por dentro, fiz um zig-zag de azeite de oliva ali por cima, somei pétalas de cebola bem finas, deixei refogar, desliguei o fogo, cobri com um punhado de gorgonzola esmigalhado, tapei a panela para abafar e derreter, e pronto. Não tem jeito de não ficar delicioso.

Vânia limou os óculos e hoje faz uma linha sereia no Porto da Barra, quando não trabalha como repórter para a TV Câmara. Não se conformou com o Eremita como sua carta de personlidade do tarot, e é barbeira que dói, a minha amiga, mas continua divertida e altíssimo astral.

Comemos na varanda dos fundos, tomamos vinho, dividimos uma sobremesa e saímos alegrinhas, afobadas e atrasadas para uma sessão da tarde de A Separação, no nosso querido Glauber Rocha.

Ai, ai… como diria a Danuza: É tudo tão simples!

Medalhões de mignon com molho escuro muito escuro de cogumelos secos e vinho

fevereiro 14th, 2012 § 26 Comentários

É porque eu amo o corte dos medalhões, que a depender da espessura, ficam macios sem precisar sangrarem por dentro, por isso, eu gosto de cortar os meus próprios medalhões. É só comprar uma peça longa, de miolo do mignon (eu devia ter fotografado isso) e enrolar em papel filme bem justo. Daí você leva no congelador rapidinho só para dar uma firmada na carne para depois cortar em fatias do tamanho que você quiser, pegou?

Mas você pode cortar em iscas, em cubos, escalopinhos, bifinhos, o que você quiser, só acho que tem que ser mignon aqui.

Primeira coisa: hidratar os cogumelos secos (eu usei funghi secchi da Companhia das Ervas, que é TUDO!) em vinho tinto, que não pode ser muito fuleiro, tá? Vamo’ fechar numa coisa tipo Concha Y Toro Reserva de 18 pilas? Ou Santa Carolina ou Santa Helena nessa faixa? Tá bom para você? Porque, ô minha linda, eu te digo com pureza d’alma, com Chalises e afins não vai prestar, viu? Coloque os cogumelhos numa tigelinha, cubra com o vinho e deixa lá até ficar macio, coisa de 15 minutos tá de bôua. Para cada 6 medalhões, um punhado (200g) de cogumelos é bom para mim, que como cogumelo que nem uma louca (por isso que eu sou assim, er… como direi… animada!).

Corte os medalhões, tempere com sal e pimenta e passe em farinha de trigo. Tome uma frigideira de teflon untada com óleo e leve ao fogo para esquentar bastante. Daí sele os medalhões (selar é colocar os medalhões ali naquela panela quente para blindar – kakaka – criar uma crostinha de cada lado para impedir que que os sucos da carne se percam, ela desidrate e fique dura), retire da panela e leve ao forno baixo para manter a temperatura enquanto faz o molho.

Na mesma frigideira sujinha com crostinha de farinha, coloque uma BELA colher de manteiga da boa, deixe derreter e doure 1/2 cebola roxa em pétalas finíssimas; agora some o cogumelo com o vinho e deixe o alcool terminar de evaporar e deixe reduzir (reduzir é deixar a água secar um pouco para o molho encorpar). Aquela farinha de trigo que você usou e ficou grudadinha na panela vai ajudar a encorpar o molho, mas se ele ficar ralo você pode somar um pouco de creme de leite (eu não precisei) ou diluir uma colher de chá de farinha num pouco do molho e devolver a panela. Encontre o seu ponto, acerte o sal e quando o molho estiver um absurdo, uma loucura, uma perdição, você volta os medalhões para a panela e serve pelando, que filé só quente, fumegante, queimando a língua e macio, muito macio. Sirva com arroz e legumes salteados, purê de mandioquinha, couscous ou uma massinha alho e óleo ou manteiga de ervas e parmesão. Ui!

Receitinha luxo para arrebatar os homens. Eles são fraquinhos fraquinhos para o lado de uma carne suculenta, vão por mim! Deixa uns dois medalhões mais mal-passados por dentro que vai ser a glória para eles. Aliás, alguém da psique aí pode me explicar porque homem adora uma carne sangrenta? Credo!

Pernil de cabrito à moda grega

janeiro 7th, 2012 § 18 Comentários

É assim: o cordeiro é filho do carneiro com a ovelha, tem a carne mais macia por conter mais gordura e quanto mais jovem (baby) ainda mais macia a danada. Já o cabrito é filho do bode com a cabra, sua carne é muito mais magra e portanto, mais firme, ficando mais bacana o seu preparo no formato guisado ou assado (de preferência por horas a fio, como eu fiz estes aqui). Considerando também que a carne do cabrito é um pouco mais escura, com as duas na frente e um pouco de concentração dá até para identificar, mas se você não souber nada sobre eles, fica difícil. A coisa é confusa e para não comprar gato por lebre, ou melhor, cordeiro por cabrito, há distinções entre o formato da cabeça, orelhas, ossos.

O chef Rodrigo Oliveira do Restaurante Mocotó (SP), aquele deus grego aliás, explicou as diferenças para a Folha de São Paulo:

Cabrito – Da família dos caprinos, filhote do bode e da cabra, é um animal de cabeça alongada, em geral com orelhas maiores que as do cordeiro e caídas. A característica mais marcante da sua carne é o fato de ser magra. Em relação à coloração, é mais escura que a do cordeiro. Tem os ossos mais finos e arredondados, e o corpo mais longilíneo. Por ter pouca gordura, a carne é mais firme – fica melhor guisado ou assado.

Cordeiro – da família dos ovinos, filhote do carneiro e da ovelha, tem corpo mais robusto e cabeça arredondada, com orelhas menores e não pendentes como as do cabrito. Por ter porte maior e ossos mais grossos, os cortes costumam ser maiores. De coloração mais clara que a do cabrito, a carne de cordeiro é rica em gordura e é mais macia. Fica bem grelhada ou assada.

Feitas as devidas apresentações, agora que vocês já estão íntimos de toda sorte de caprinos e ovinos, vamos à receita.

Preparar uma perna de cabrito assada por 4 horas é uma questão amorosa porque a relação é longa e começa dois dias antes no preparo da marinada. Eu fiz 4 pernas para o jantar grego e preparei assim: tomei uma bacia onde deitei 1 copo americano de vinho branco (que não pode ser vagabundo, sugiro um chileno na faixa de 18 pilas – você não vai querer sentir gosto de vinho fuleiro nas suas pernas de cabrito que levaram 2 dias para ficarem prontos, certo? Ah, bom), 1 cebola branca grande ralada, suco de dois limões (e as raspinhas da casca também) 4 dentes de alho socados com 1 colher de sopa de sal grosso e 1 colher de sobremesa de grãos de pimenta do reino, um generoso punhado de alecrim, louro e tomilho frescos. Abra pequenas incisões na carne com a ponta da faca (aqui pode, até porque ela é firme e não é muito sangrenta) para que o tempero penetre, e envolva o pernil na marinada. Aproveite para enfiar alguns dentes de alho surpresa em algumas delas. Eles vão virar uma musse depois de assados, que vai fazer uma festa aromática e saborosa na sua boca se por acaso você for um dos sortudos. Coloque cada pernil (se é que você vai fazer mais de um, o que recomendo, considerando que a perna é pequena – coisa de 2kg – e você vai gastar horrores de gás, daí você aproveita e congela outra ou outras) num saco plástico com um pouco do suco da marinada, retire o ar, feche a boca (do saco, porque você vai estar babando) e leve ao refrigerador na antevéspera do preparo.

No dia é untar um refratário, deitar as pernas, regar com o melhor azeite possível e com o suco super concentrado a esta altura, e levar ao forno médio pré-aquecido a 180°, inicialmente parcialmente cobertas (libere as laterais, só cubra por cima) com papel alumínio. Quando soltar um pouco da água (não solta muita), remova o papel e não esqueça de regar o tempo todo com suco de limão e azeite até a completa cocção.

Eu te peço por tudo o que é mais sagrado: não vá tomar um vinho, ficar louca e esquecer o cabrito no forno. Ele precisa de atenção constante! E depois que você já tiver virado o lado e ambos estiverem começando a corar, encha as assadeiras com batatas cruas que vão assar no caldo da carne e se tornarão a guarnição mais que perfeita para esta carne inesquecível. Observe o corte grego das batatas. Eu aprendi com uma encantadora matrona grega homenageada, a doce Ileana, que me visitou na cozinha e me deu várias dicas.

Disponha o seu pernil lindamente numa travessa para que todo mundo a saboreie primeiro com os olhos. Depois, com os talheres de trincha, fatie a perna, que deverá estar muito, muito macia, depois de 4 horas de cocção lenta, como é imperativo neste caso.

Preparar um pernil de cabrito é importante.

Picadinho de filé especial com pimentão amarelo e feijão branco

novembro 3rd, 2011 § 15 Comentários

Eu já tinha fechado na minha cabeça que não ia cozinhar hoje, por causa daquele pecado capital lá que eu já falei no outro post e não vou nem escrever a palavrinha de novo, que eu já bocejo. Mas quando faltavam 10 minutos para o meio-dia, eu pensei que convencer Bento a sair de casa, pegar trânsito e me deslocar até um restaurante ia dar mais trabalho do que cozinhar em casa. Me apeguei com Cristo Rex, sem criatividade alguma, e encarei o picadinho de filé especial que eu tinha tirado do freezer ontem à noite. Bento queria feijão e, graças a Jah, eu tinha comprado aquela caixinha abençoada de feijão branco cozido da Camil, mas ainda assim fazer o feijão em separado, significava preparar mais um prato, o que estava fora de cogitação. A solução era criar um prato só, com a carne e o feijão branco, e este foi o processo criativo e preguiçoso desta comidinha, que ficou, veja você, deliciosa. =)

Temperei os cubos com o temperinho etíope que a Thaísa mandou para mim de NY (Thaísa, aquele povo é chegado numa pimenta, viu?), mas você pode temperar apenas com sal e pimenta do reino moída na hora. Passei de leve na farinha de trigo e levei para selar na panela de pressão untada com óleo e bem quente. Os cubos ficaram dourados e a panela queimadinha de leve, daí eu retirei os cubos e coloquei 1 colher de manteiga para derreter ali, somei 1/2 cebola branca e 1 pimentão amarelo pequeno em cubos e deixei refogar; pinguei um bocadinho de uísque, deixei evaporar o álcool, devolvi a carne, misturei bem, cobri tudo com caldo de legumes e deixei cozinhar na pressão por 20 minutos depois que a panela começou a apitar. Tirei a pressão, abri a panela, somei a caixeta de feijão branco cozido Camil com caldo e tudo, devolvi ao fogo para ferver com a panela aberta desta vez, e por fim somei um belo punhado de salsa fresca.

Pá-pum, dois palitos, rango delícia. O arroz queimou, mas a colega vai me dar um desconto, não vai (já com a peixeira na jugular alheia)?

Ah, bom, assim está melhor. =)

Almôndegas de carne com aveia e recheio de queijo coalho ao molho de tomates

setembro 19th, 2011 § 27 Comentários

Adoro receita de nomão, já falei né? =)

Tá, mas as tuas podem ser de frango, soja ou siri; podem ser feitas com farinha de trigo, ou de milho ou pão ou biscoito; com recheio de tofu, gorgonzola ou ricota; ao molho branco, amarelo ou rosè, fechado? Fica a idéia só para abrir os horizontes da pessoa.

Coisa rápida. Numa tigela coloque a carne moída (eu usei uns 500g) e tempere do seu jeito. O meu hoje foi sal, pimenta do reino, pasta d’alho e um toque de canela, como fazem os gregos. Uma vez temperada, junte um punhado de aveia, e para dar liga, um ovo inteiro e um fio de azeite de oliva. Mexa tudo com as pontas dos dedos, avaliando se é necessário um pouco mais de aveia (se tiver muito molengo) ou um pouco mais de azeite (se estiver muito seco). Quanto mais úmido melhor, desde que seja possível enrolar. É que quanto mais úmido, mais macio o resultado final. Se você pesar a mão na aveia suas almôndegas vão tender a ficarem mais secas, concorda? Encontrou o ponto bom de enrolar, faça bolotas, enfie pedacinhos de quejo no meio delas, remodele e dê uma selada nelas numa frigideira de teflon apenas untada com óleo. Reserve.

Aqui eu fiz um molho de tomates com polpa in natura que eu já tinha preparado na geladeira (tomates maduros sem pele e sem sementes processados). Dourei cebola picada na manteiga, juntei a polpa de tomates, somei um pouco de caldo de legumes, acertei o sal, pitadinha de açúcar para resolver a acidez dos tomates, e depois foi trazer as almôndegas seladas para a panela e deixar cozinhar em fogo baixo até reduzir a água do caldo, que deve coincidir com um ponto macio das almôndegas. Para finalizar, um punhado de salsa fresca picadinha e ABAFA!

Sou doida por almôndegas. Os guris p-i-r-a-m nestas aqui (que tem queijinho de surpresinha dentro, né?)

Bracciolas da Katita

junho 28th, 2011 § 20 Comentários

Né por nada não, mas hoje eu arrasei nas bracciolas. ‘Tava era inspirada! =)

Comprei uma bandejinha de bifes já tratadinhos e enroladinhos. Abri cada um deles, salpiquei sal e pimenta do reino moída na hora dos dois lados e recheiei com uma tira de cenoura, uma de pimentão amarelo e uma fatia de bacon; enrolei apertadinho, fechei com um palito e levei para selar na panela de pressão untada com óleo e bem quente. Selei as quatro bracciolas e removi da panela, onde somei um pouco de azeite de oliva e juntei cubos de cebola roxa, aipo (talo de salsão), pimentões amarelos, batatas inglesas, tomate sem sementes, e um talo de alho poró em anéis; misturei bem, somei uma colher de manteiga quando os ingredientes começaram a soltar água e deixei refogar; depois deitei coisa de meia xícara de vinho branco e deixei evaporar o álcool; nessa hora eu resolvi abrir um buraquinho no meio e deixei cair uma chuvinha de 1 colher de amido de milho, que fui misturando energicamente para não empelotar. Foi a melhor coisa que eu fiz, veja a consistência do meu molho que espetáculo!

Depois cobri tudo com água fervente, misturei bem, e somei as bracciolas seladas; coloquei um punhado de tomilho antes de fechar a panela, e o resto foi com a pressão. A carne cozinhou coisa de 30 minutos depois que a panela começou a apitar, e ficou MUITÍSSIMO macia. Não se esqueça de remover os palitos depois do cozimento sem medo de ser feliz que elas não abrem mais. Evite entalar a sogra, por Nossa Senhora da Sacola, hein?

Fiquei louca com as minhas próprias bracciolas e não vejo a hora de fazer uma bela sopa com a sobra suculenta a me fitar ali do fogão!

Top 5 comidinhas que me ressuscitam. Voltei a cozinhar que nem uma lôka.

Atoladinho de carne do sol com molho de castanha do pará

junho 15th, 2011 § 29 Comentários

Comfort food do sertão, afinal, esse papo de comfort food está relacionado não apenas à comidinha da mamãe como também ao sentimento de pertencimento ao lugar onde se viveu em tenra infância e mocidade.

Hoje me deu uma vontade tão louca de comer carne do sol com aipim que eu não quis nem saber se o pato é macho e se eu tinha acabado de apertar o aparelho ortodôntico. Cortei minha carninha muito macia bem pequenininha, me concentrei, mastiguei bem devagarzinho, fiquei horas à mesa, mas resolvi meu desejo.

Comecei pelo molho: 5 castanhonas do pará + 1 dente de alho no pilão + a salsinha que me bastou; depois levei para um ramequim e somei uma pitada de sal, 1 de pimenta calabresa, umas 4 gotinhas de limão e cobri tudo com o melhor azeite de oliva extravirgem. Gente, ficou tão bom…

Tá, daí eu tomei uns 5 aipins (mandioca, minha gente) descascados ma-ra-vi-lho-sos e cozinhei em panela de pressão com caldo de legumes caseiro (mas o potinho tá liberado – tablete não mais, muito salgado) até ficar BEM molinho. Deixei lá no quentinho da panela.

Aquele negócio de carne do sol super salgada que a gente tinha que dessalgar e até escaldar, ‘tão ligadas que é coisa do passado, né? Carne so sol espetáculo é aquela que é vendida resfriada e já dessalgada, ou com o mínimo de sal, que basta lavar ou deixar de molho coisa de 30 minutos e está perfeita! Peças escândalo de maminhas e mantinhas, que quando bem feitas viram sonho na boca.

Então, tomei um pedaço de 400g de carne do sol linda, cortei em cubos médios, deixei de molho por 30 minutos; escorri, lavei, espremi, enxuguei. Untei uma frigideira de teflon com óleo, levei ao fogo e quando estava quentona deitei os cubos de carne ali para soltarem um pouquinho de água que ainda lhes restava, selarem de todos os lados, para depois eu deixar cair ali um fio bom de óleo de canola para dar uma fritadinha com umas pétalas de cebola, infelizmente branca, porque as comadres sabem que meu babado é com a roxa, mas a branca estava nas últimas e as roxas ainda gatinhas.

Depois é pegar um prato, colocar um belo pedaço de aipim, amassar com o garfo e cobrir com um tantinho de manteiga que vai derreter linda, fazer caminha, deitar a carne macia e acebolada e cobrir com este molho, que foi a grande vedete do prato.

Eu fui muito feliz hoje por volta das 13h.

Medalhões de mignon com queijo coalho e melaço de cana

maio 16th, 2011 § 34 Comentários

Tempere os medalhões com sal e pimenta do reino moída na hora e reserve; enquanto isso, grelhe fatias de queijo coalho na chapa, e reserve.

Deite um fio de óleo de canola numa frigideira ao lume, e quando estiver muito quente, coloque os medalhões para selar, por dois minutos de cada lado. Termine de assar por 5 minutos em forno pré-aquecido na hora de servir.

Agora o molho:com a mesma frigideira onde selou os medalhões, coloque 3 partes de caldo de carne para 1 parte de melaço de cana, e deixe reduzir até ficar encorpado.

Agora é só montar: primeiro os medalhões, depois o queijo coalho na chapa e por fim, o delicioso molho de melaço.

Uma palavra: sensacional, modéstia às favas!

Idéia da Morena Leite, com medidas a meu bel-prazer (bel-prazer não é uma palavra ótima?).

(!) Publiquei este pitéu, aqui revisado rapidamente, no blog Rainhas do Lar em outubro de 2008.

As fabulosas almôndegas do Jamie

março 31st, 2011 § 41 Comentários

Se eu tivesse que escolher um cozinheiro para reproduzir-lhe todas as receitas, à maneira do projeto Julie & Julia, este cozinheiro certamente seria o Jamie Oliver. Apesar de uma certa gastura com toda aquela hiperatividade, ele é um grande chef, e sem dúvida, continua sendo o meu preferido. Adoro seu estilo prático e sem frescura, a rusticidade elegantérrima de seus pratos incríveis feitos até em fogo de chão, sua habilidade e conhecimento no cultivo dos seus próprios vegetais, sua capacidade incrível de acentuar o que há de melhor em cada matéria prima através de técnicas quase sempre muito simples, e principalmente, as suas escolhas. Não sou muito de seguir receitas, mas as dele me atraem sobremaneira, e não há uma sequer que não tenha ficado nada menos que espetacular.

Estas almôndegas eu já havia publicado no Rainhas do Lar, e como prometi trazer para cá ou refazer o supra-sumo do que publiquei lá, esta não podia, de forma alguma, ficar de fora.

Tome numa tigela 500g de carne moída da melhor qualidade (eu usei miolo de alcatra), 1 fatia de pão (usei italiano) bem esmigalhadinha, 1 colher de sopa rasa de orégano, 6 sementinhas de cominho piladas (não deixe de fazer se não tiver), 1/4 de pimenta dedo de moça picadinha, 1 colherinha de chá de alecrim fresco picadinho (hoje usei seco), 1 gema de ovo (hoje eu não tinha ovo e substitui por uma colher de sopa bem cheia de azeite de oliva extravirgem para dar liga), 1 colherinha rasa de chá de sal e pimenta do reino moída na hora a gosto. Misture tudo com os dedos. A essa altura da receita, o Jamie sugere em seu Chef sem mitérios, como gracinha opcional, refogar 1/2 cebola e 1/2 dente de alho picadinhos num pouco de azeite de oliva com mais 1/2 colher de sopa de mostarda Dijon, e juntar depois de morno à mistura de carne. Da primeira eu fiz exatamente assim, mas hoje eu apenas somei um tantinho de alho processado e a mostarda diretamente à massa, com mais um fio de azeite de oliva, e não acho que as minhas almôndegas de hoje pudessem ter ficado melhores.

Faça as almôndegas com as mãos úmidas, frite-as em azeite de oliva, virando-lhes os lados para obter um bronzeado uniforme, e reserve-as. Agora tome um refratário, deite as almondêgas úmidas pelo azeite da panela, cubra com o molho de tomates mais sincero que você puder fazer (preciso trazer a minha receita de molho de tomates sincero para cá) ou comprar; agora rasgue por cima algumas fatias de mussarela e um belo punhado de manjericão fresco, e leve ao forno pré-aquecido para aquecer o molho e derreter o queijo.

Se for para fazer almôndegas, que sejam perfeitas. Posso garantir que é o caso destas aqui, confiem em mim!

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