Linguine com alho negro e manjericão crisp
fevereiro 29th, 2012 § 31 Comentários
Linguine, ‘cê sabe, né? É essa massa longa, fininha, achatadinha e não arredondada, como o espaguete.
E agora que todo mundo já falou do tal do alho negro, chegou a minha vez. De fato, alho negro é um troço massa. Além de lindo e instigante pelo exotismo, tem um cheiro forte e espetacular, que lembra… cogumelo seco, sei lá; depois tem a consistência meio cremosa (tipo quando a gente assa alho comum com casca, sabe como?), e por fim o sabor super leve, delicado e meio adocicado, ao contrário do que sugere a sua aparência diferentona. E o melhor: não deixa bafo!
Alho negro é caro mas acho que dá para investir 15 pilas num alho (acho que foi o preço que vi na Perini, porque nunca comprei, mas ganhei alguns de presente) para finalizar uma massinha glam para 4 pessoas, dá não? Porque eu vou te falar: é uma experiência bacana, viu? Agora assim, um ingrediente especial como este precisa de destaque, daí que a pessoa não pode cair na besteira de preparar um prato cheio de informação, senão ele vai se perder, concorda?
Minhas sugestões de uso são: como entradinha com um azeite espetacular e um pãozinho ídem, numa bruscheta ou sanduíche de luxo, na finalização de um risoto, mas, principalmente, numa massinha basicona.
Eu fiz assim: um zig-zag de azeite de oliva do bom no fundo de uma frigideira teflon + 1 fio de óleo para o azeite não queimar. Quando estava bem quente eu soltei um punhado de manjericão que ficou esquema crisp rapidinho; daí eu baixei o fogo, somei uma colher de manteiga, esperei derreter e juntei 1/3 de um alho negro (uns 4 dentões) fatiado só para dar uma chiadinha ali, e acabou minha gente. Depois foi só misturar dois ninhos de linguine al dente (que eu aprendi com as minhas leitoras que o mais legal é cozinhar só no sal, sem fio de óleo e NUNCA JAMAIS choque térmico para não lavar o amido que agrega o molho, e elas tem TODA a razão, nunca mais cometi esses pecados!) escorrido ali na hora e bem úmido porque essa aguinha aí evita que a massa fique ressecada, apesar da manteiga e do azeite.
Pimenta do reino moída na hora para quem é de pimenta do reino moída na hora e parmesão ralado grosso para todos, pode ser?
Perfeito para almoçar sozinha quando o filho vai passar a tarde com o coleguinha depois da escola. Ô delícia!
Queixume: Poxa, vida, eu não podia ter raspado um ‘cadim de nada de casquinha de limão naquele molho? =(
O Amado
fevereiro 27th, 2012 § 23 Comentários
Eu sou aquela que visita a exposição no último dia; que chega na última sessão do filme e descobre que a programação rodou; que sai correndo da vendedora que diz “isso aqui tá super na moda, tem ótima saída”; que (hoje) evita lançamentos, estréias e burburinhos; e que finalmente é a última a comentar sobre o restaurante da moda, até porque muitas vezes ele já não está mais na moda, ou sequer existe.
Não dou conta de compromisso com a velocidade das coisas, de ter que saber de tudo o que está acontecendo, de ter que estar atualizada, na crista da onda. Para tudo que eu quero descer agora!
Feita esta intro, preciso destacar o Amado daqui do meu arquivo de lugares de comer, porque, de fato, se existe um restaurante contemporâneo (e brasileiro) melhor aqui em Salvador, eu desconheço.

(fachada e salão da minha cadeira)
Na minha cabeça, o Amado é o melhor restaurante contemporâneo de Salvador (que eu conheço) pelos seguintes motivos:
1- O talento, o bom senso, a alquimia do chef Edinho Engel (dono também do Manacá no litoral paulista, e autor do O Cozinheiro e o Mar) na elaboração dos pratos, na combinação dos sabores, na utilização do que o Brasil tem de melhor, na perfeita cocção, sabor e apresentação dos pratos.
2- O projeto arquitetônico de Paulo Jacobsen, que transformou um trapiche abandonado na Praia da Preguiça, endereço para lá de romântico da cidade de São Salvador, num ambiente elegantérrimo, algo rústico, que abraça a gente; um abraço de pedra, madeira e vidro que é para ver o mar. O mar não, a Baía de Todos os Santos, desculpa. O decor é bem bonito, o projeto paisagístico também, mas tudo construído sobre o exuberante projeto arquitetônico, que impõe respeito ao ambiente, determinando que ele seja calmo, silencioso e elegante, como se ultrapassássemos um portal que desacelera e convida à contemplação. Uma música tão perfeita em sua discrição (só um barulhinho bom ocupando a pequena parte que lhe cabe naquele latifúndio) que nem me lembro o que era, como tem que ser, afinal, ninguém vai ali para ouvir música.
3- O serviço eficaz, às vezes até um pouco simpático demais, mas melhor assim, né?
Ontem eu me arrependi por não ter provado um dos pratos de caça, vacilei. Eu tinha que ter experimentado a paleta de queixada ou paca, mas me rendi mais uma vez aos camarões… rosas com molho de gorgonzola e pistache, purê de mandioquinha e espinafre, e não posso dizer que me arrependi; já o meu amigo deliciou-se no famoso Prato dos Pescadores, uma combinação de peixe, frutos do mar e legumes, dos deuses, que eu provei de leve.
Bom, não dá para ir ao Amado uma vez apenas, o cardápio é muito sedutor para isso. Impossível sair de lá sem sonhar em voltar. Quem sabe o javali da próxima vez.
A pergunta que não quer calar: preço. Duas pessoas que vão de couvert (impecável) + 4 copos de vinho tinto chileno + 1 água com gás + 2 pratos individuais + 2 cafés (no nosso caso não sobrou espaço para a sobremesa), vão gastar 150 pilas por pessoa.
Vale cada centavo, pelo conjunto da obra, até porque, eu só pago uma conta destas a cada seis meses, e se eu tiver que viajar para comer num restaurante escândalo destes, há de sair mais caro.
(não deixe de ler considerações bacanas sobre o quesito preço aqui nos comentários!)
Visite o Amado aqui.
Lassi de hortelã (Pudina Lassi)
fevereiro 26th, 2012 § 16 Comentários
Lassi é uma bebida de origem indiana feita à base de iogurte. Desde que preparei esse primeiro, que publiquei no Rainhas do Lar em dezembro de 2008, sempre rola aqui em casa.
Para 4 pessoas, bata 4 copinhos de iogurte natural num mixer com 250ml de leite gelado, 4 colheres de sopa de açúcar, 1 pitada de sal, e 8 cubos de gelo; depois junte 1 maço de hortelã fresca e bata por mais 30 segundos; disponha em copos longos e sirva imediatamente.
Eu gostaria que a minha geladeira produzisse lassi instantaneamente, pois nada pode ser mais adequado ao nosso clima e ao meu paladar do que esta bebida divina, depois da água, é claro.
Recomendo fortemente! Coisa linda para servir num brunch, já pensou?
Boteco do França é campeão
fevereiro 26th, 2012 § 8 Comentários
Eu adoro comida de boteco, e manjo. Mas não tem jeito, o França é campeão. Os cabras acumularam experiência como garçons, atentos às peculiaridades e manhas da área, anotaram o caminho das pedras, tiveram fé no taco, descolaram um ponto super estratégico e se firmaram há 7 anos como o melhor boteco da cidade. Fórmula simples: cardápio fixo desde sempre e assertivo (homenageando artistas e intelectuais habitués nos nomes dos pratos, o que é uma gracinha) com predominância daqueles ingredientes que nunca faltam na cidade que é para não fazer aquela linha “tem, mas acabou”; nenhuma firula decorativa, apesar de oferecer o conforto mínimo necessário e possível considerando o pequeno espaço físico (muito bem aproveitado, aliás, até mesmo com área climatizada); atendimento bom quando não está chapado (é por isso que eu gosto de ir tipo assim, almoçar na quarta, sabe?), cervejas boas sempre estupidamente geladas (o que é básico, mas o povo vacila forte), cachaças respeitadas; preços justos por tudo isso, enfim, a glória no quesito boteco.
Na foto, meu prato preferido entre os botecos de toda parte que eu já frequentei, que é o arroz de pato; ah! e o fofo do Antonio, garçon gracinha.
No Boteco do França você toma duas cervejas Bohemia muito geladas e bem servidas em copos finos, gelados e adequados + um arroz de pato baby (que dá para dois) e paga tipo R$50 pilas de conta. Eu acho fofo.
Fica ali no Rio Vermelho, perto do teatro do SESI, mas se você quiser mastigadinho, vem cá.
Gente, eu ‘tava olhando aqui nos meus arquivos o tanto de fotos que eu tenho de lugares onde eu como e não publico. Por que será? Afe, tenho que desovar isso! =P
Frango cham-cham: ao champagne com champignon
fevereiro 25th, 2012 § 9 Comentários
Hoje eu acordei toda francesa e corri para buscar inspiração no As mulheres francesas não engordam. Deu esse prato aqui, adaptação de uma receitinha de frango embolada com uma receitinha de poêlée (refogadinho) de cogumelos.
Peito de frango é prático e versátil, mas muito mais saborosas são as sobrecoxas, eu acho. Tomei 6 sobrecoxas limpas e temperei com sal, pimenta do reino moída na hora, pasta d’alho, ervas de Provence e gotas de limão, arrumei num refratário de tamanho exato para a porção, com a pele para baixo, e cobri com espumante brut; deixei ali por uns 40 minutos e levei ao forno médio pré-aquecido até este ponto lindo e dourado aqui, ó:
Enquanto o frango estava no forno, eu dourei pétalas de cebola na manteiga, juntei champignons, salteei e deixei ali esperando para entrar em cena no prato, polvilhado com flor de sal, junto com o franguinho.
Flor de sal, ervas de Provence, champignon e espumante, e a França é aqui na minha cozinha.
Eu e a Danuza no Mais Você
fevereiro 23rd, 2012 § 149 Comentários
(para assistir a matéria, clique aqui)
Se a programação não sofreu nenhuma alteração, devo colocar o meu carão rapidamente na sua telinha amanhã de manhã (dia 24 – a que horas, só Deus sabe).
Foi assim: a produção de reportagem do programa Mais Você da Rede Globo, leu aqui neste post uma das minhas experiências de desapego, que este ano teve inspiração forte da divah Danuza Leão, e como ela será convidada do programa falando deste tema que norteou o seu último livro, eles mandaram uma equipe de reportagem aqui em casa para colher um pequeno depoimento.
Daí que se a comadre estiver de bobeira amanhã de manhã perto de alguma tevê, a gente corre o risco de se esbarrar a qualquer momento!
=P
Lata de lixo inox é importante!
fevereiro 19th, 2012 § 19 Comentários
Fazia muito tempo que eu queria trocar as latas de lixo da cozinha por latas inox por serem mais resistentes, higiênicas e bonitas também, mas me dava um desgosto quando eu chegava na Tok&Stok e mirava R$160,00 numa lata de 12l! Daí que eu fui empurrando com a barriga até semana passada quando eu QUASE comprei uma na T&S, mas um anjinho da guarda segurou o meu tchan e na sequência imediata, tive que passar numa loja do HiperBomPreço e encontrei estas ótimas aqui, também de 12l por R$50! Que alegria! Garanti pelo menos uma de lixo orgânico e outra de não orgânico.
Se liguem nos produtos desta marca gringa, a Select Edition, porque É JOGO! Já comprei um sem-fim de utilidades domésticas ótimas e lindas nos Hiper BomPreço por preços sempre assim, tipo metade das lojas fofinhas.
E por falar em área de serviço, sabe quando o banheiro tá feião e a gente não tem grana para reformar ou então nem pode porque mora de aluguel? Daí você tem duas escolhas: conviver com o seu banheiro feião ou dar um trucão e deixar ele lindão, ou quando nada engraçadinho. Esta foi a escolha da Érica, mais uma leitora que se inspirou na minha área de serviço para deixar o dela mais astral.
Katia querida!
Escrevo para, além de dizer que seu blog é 1000!, que adoro seus posts e que vc é uma Fofa (com F maiusculo mesmo!), para agradecer e mostrar como vc anima, dá dicas e empolga suas leitoras.
Inspirada aí, ó só que que eu fiz!
Responde qdo puder? p eu ter certeza que vc viu…
Mil bjs,
Erica
Érica, surtei na Mafalda! Parabéns, ficou jóia! Tô super orgulhosa! =)
O endereço dos mimos de 1 ano do Pitéu
fevereiro 19th, 2012 § 6 Comentários

(imagem: Perecoteco)
Mas o meu coração é de TODOS vocês. Fiquei emocionadíssima com os comentários, que já li várias vezes. Como é que agradece? Obrigada é pouco!
Agora eu vou ali descobrir quem é a Priscila Barbarini e cuidar de tecer-lhe o meu mimo, que também vai na caixinha. Vocês sabem que na minha cabeça, simbolicamente, essa caixinha que vou despachar é para todos vocês, né? Vamos brincar de faz de conta!
Beijos estalados em cada bochecha dessas, que é para eu ficar com o bico bem dormente.
Mais uma ciranda linda, arrasamos!
Rolinhos de papel arroz com recheio de salmão, cream cheese e cebolinha (ah! e molho mezzo oriental!)
fevereiro 17th, 2012 § 9 Comentários
Toda santa vez que o meu amigo Marcus vem de Toronto traz umas coisinhas de comer de lá que não são tão comuns aqui em Salvador. Na minha última pacoteira veio esses discos de papel arroz para fazer wrap, ou roll, ou rolinhos, que não precisa enROLLar tanto a língua, e eu estou aqui para facilitar a sua vida, colega.
Os discos são rígidos, mas é só cobrir um a um com um pano limpérrimo úmido por alguns minutos (eu fiz isso dos dois lados) que eles hidratam e ficam macios. Daí é rechear, enROLLar e foi!
Eu ADORO essa combinação de salmão com cream cheese, cebolinha e um molho algo oriental, que pode ser teryiaki. Comi pela primeira vez no recheio do meu crepe favorito do Mariposa, o Philadelphia, que leva também camarão. Desde então, e isso faz muitos anos, simplesmente não consigo comer outro crepe lá, um inferno!
O salmão eu tempero com sal, pimenta moída na hora, gotas de limão, um fio de azeite e leve ao bapho! (vapor) ou ao forno pré-aquecido só para soltar da pele, coisa rápida! Daí eu desfio e ele está pronto.
Sobre o disco vou dispondo o salmão, uma camada de cream cheese, cebolinha em micro-anéis, enROLLo, e faço zig-zag de molho, que eu fiz com uma parte de melaço para uma parte de shoyu.
Neste mesmo dia fiz rolinhos também com as sobras do mignon aqui de baixo, mas a foto ficou da biza (bizarra), como diz o meu amigo Amadeu; ficaram parecendo charutos de macumba, manja? Mas ficou bom, pacas!
Ó, se não tiver disco de papel de arroz faz com pão folha, rap 10, qualquer coisa assim…
Ô negócio bom para levar para a casa do amigo e tomar um vinho enquanto se prepara o almoço naqueles dias em que a gente liga um para o outro e junta o que tem nas nossas geladeiras para fazer festenha de sábado de manhã!
Olha os discos aê:
Marquito, eu queria TANTO fazer um rolinho vegano em sua homenagem, mas “a carne” é fraca! Perdoa? Vou tentar com o bifun, apesar de sonhar com ele todo emboladinho com muito, MUITO camarão!!!!!!!
Medalhões de mignon com molho escuro muito escuro de cogumelos secos e vinho
fevereiro 14th, 2012 § 26 Comentários
É porque eu amo o corte dos medalhões, que a depender da espessura, ficam macios sem precisar sangrarem por dentro, por isso, eu gosto de cortar os meus próprios medalhões. É só comprar uma peça longa, de miolo do mignon (eu devia ter fotografado isso) e enrolar em papel filme bem justo. Daí você leva no congelador rapidinho só para dar uma firmada na carne para depois cortar em fatias do tamanho que você quiser, pegou?
Mas você pode cortar em iscas, em cubos, escalopinhos, bifinhos, o que você quiser, só acho que tem que ser mignon aqui.
Primeira coisa: hidratar os cogumelos secos (eu usei funghi secchi da Companhia das Ervas, que é TUDO!) em vinho tinto, que não pode ser muito fuleiro, tá? Vamo’ fechar numa coisa tipo Concha Y Toro Reserva de 18 pilas? Ou Santa Carolina ou Santa Helena nessa faixa? Tá bom para você? Porque, ô minha linda, eu te digo com pureza d’alma, com Chalises e afins não vai prestar, viu? Coloque os cogumelhos numa tigelinha, cubra com o vinho e deixa lá até ficar macio, coisa de 15 minutos tá de bôua. Para cada 6 medalhões, um punhado (200g) de cogumelos é bom para mim, que como cogumelo que nem uma louca (por isso que eu sou assim, er… como direi… animada!).
Corte os medalhões, tempere com sal e pimenta e passe em farinha de trigo. Tome uma frigideira de teflon untada com óleo e leve ao fogo para esquentar bastante. Daí sele os medalhões (selar é colocar os medalhões ali naquela panela quente para blindar – kakaka – criar uma crostinha de cada lado para impedir que que os sucos da carne se percam, ela desidrate e fique dura), retire da panela e leve ao forno baixo para manter a temperatura enquanto faz o molho.
Na mesma frigideira sujinha com crostinha de farinha, coloque uma BELA colher de manteiga da boa, deixe derreter e doure 1/2 cebola roxa em pétalas finíssimas; agora some o cogumelo com o vinho e deixe o alcool terminar de evaporar e deixe reduzir (reduzir é deixar a água secar um pouco para o molho encorpar). Aquela farinha de trigo que você usou e ficou grudadinha na panela vai ajudar a encorpar o molho, mas se ele ficar ralo você pode somar um pouco de creme de leite (eu não precisei) ou diluir uma colher de chá de farinha num pouco do molho e devolver a panela. Encontre o seu ponto, acerte o sal e quando o molho estiver um absurdo, uma loucura, uma perdição, você volta os medalhões para a panela e serve pelando, que filé só quente, fumegante, queimando a língua e macio, muito macio. Sirva com arroz e legumes salteados, purê de mandioquinha, couscous ou uma massinha alho e óleo ou manteiga de ervas e parmesão. Ui!
Receitinha luxo para arrebatar os homens. Eles são fraquinhos fraquinhos para o lado de uma carne suculenta, vão por mim! Deixa uns dois medalhões mais mal-passados por dentro que vai ser a glória para eles. Aliás, alguém da psique aí pode me explicar porque homem adora uma carne sangrenta? Credo!















